Primeira neurointervenção robótica do mundo: Toronto, e feita por brasileiro!

Isso mesmo.

Nosso colega Vitor Mendes Pereira fez história no início de novembro, quando performou a primeira neurointervenção com assistência de robô, a poucos metros, numa sala de comando, mas não à beira leito no aparelho de angiosuite, como se costuma realizar este tipo de procedimento. O procedimento foi realizado no Toronto Western Hospital, no Krembil Brain Institute, na cidade de Toronto, Canadá.

O sistema utilizado foi o CorPath GRX System, desenvolvido pela Corindus, companhia recentemente adquirida pela gigante do setor, a Siemens, que está investindo pesadamente em sistemas robóticos para intervenções radiológicas. Tais procedimentos já vem sendo realizados na área de Cardiologia, e a esperança agora é que, com este desenvolvimento, procedimentos em Neurointervenção possam estar disponíveis para áreas remotas, onde não há acesso ou disponibilidade de profissionais in loco para realizá-los.

    

Fonte: CVT News homepage. 

LINK

Meredith McLeod. World’s first robot-assisted brain aneurysm surgery performed in Toronto. In: CVT News.

First Robotic-Assisted Aneurysm Coiling Performed With Corindus’ CorPath GRX System. In: www.evtnews.com.

 

 

Onde faz-se trombólise e trombectomia para o AVC no Brasil?

Reposto aqui uma pergunta feita em 2016, quando foi lançado pela rede brasil AVC o app AVC Brasil, que mostra locais hospitais onde é possível receber o atendimento correto ao AVC na fase hiperaguda/aguda. Naqueles dias, informamos sobre a lista e sobre o app AVC Brasil.

Agora, depois da reportagem do último domingo veiculada no programa Fantástico, da rede Globo, onde o médico Drauzio Varella mostrou o dia a dia de um centro de referência de atendimento ao AVC e da magnitude do que podemos fazer pelos pacientes, diversas pessoas vem me perguntando onde está a lista? Em TODOS OS LUGARES…???

No app, se você coloca sua geolocalização ligada, somente aparece a lista dos hospitais no seu estado, e não há listagem do país todo; só mostra o raio de 200km do seu local. Uma lista está disponível no site da Rede Brasil AVC – AQUI.

Entretanto, esta lista contempla hospitais habilitados pelo Ministério da Saúde, maioria apenas públicos, e alguns da rede privada, onde é possível este atendimento. Mas não diferencia o qual tipo de tratamento cada um faz. Como exemplo, poucos no país fazem o tratamento de desobstruir a artéria, a trombectomia.

Já contactei a neurologista Sheila Martins, presidente da Rede brasil AVC, e respondo em breve os detalhes da lista atualizada atual. Enquanto isso, entarei compilar novamente essa desejada “lista”.

HOSPITAIS PÚBLICOS QUE PODEM REALIZAR A TROMBECTOMIA

Primeiro, mapeados recentemente pela Sociedade Brasileira de Neurorradiologista Intervencionista, os hospitais do SUS que fazem trombectomia HOJE (arcando com custos dos materiais, pois o Governo Federal não paga!!!) no Brasil:

  • HOSPITAL GERAL DE FORTALEZA – CE
  • HOSPITAL SAO JOSE DE JOINVILLE – SC
  • HOSPITAL DAS CLINICAS DE RIBERAO PRETO  – SP
  • HOSPITAL CENTRAL DE VITORIA – ES

De maneira irregular, esporádica (quando há materiais disponíveis, a depender de compra própria pelo hospital), pelo SUS:

  • HOSPITAL SÃO PAULO – UNIFESP – SP
  • HOSPITAL DE CLINICAS DE PORTO ALEGRE – RS
  • HOSPITAL DAS CLINICAS DE SÃO PAULO (FMUSP) – SP

 

LISTA GERAL DOS HOSPITAIS HABILITADOS PARA ATENDER O AVC AGUDO

A seguir, vou começar aqui a listar (LISTA AINDA NÃO COMPLETA, EM 6 NOV 2019), com informações do app da Rede Brasil AVC, nas cidades de São Paulo, e outras, como Brasília, Recife, Campinas, Salvador, João Pessoa, etc. Tentarei enumerar onde se faz apenas trombólise (processos e protocolo mais simples) e trombectomia (que exige processos mais complexos, o hospital ter setor de hemodinâmica local e organização com neurointervencionistas em esquema de plantão).

Obs. importante::::  A quase totalidade dos hospitais privados informa que tem estrutura completa e faz trombectomia e trombólise, mas há diferenças entre os hospitais, pois é necessário haver um protocolo estruturado, escala médica de retaguarda organizada e estruturação interna para este atendimento, o que nem sempre está disponível e perfeitamente organizado. Portanto, a lista enumera os hospitais com a estrutura, mas não garante que há, atualmente, o protocolo organizado. Para este fim, consulte o neurologista da sua cidade, questionando qual o melhor lugar para o socorro adequado.

São Paulo – Públicos:

  • Hospital MBoi Mirim – só trombólise
  • Hospital Campo Limpo – só trombólise
  • Hospital das Clínicas – FMUSP – trombectomia (quando há material) e trombólise
  • Santa Casa de Misericórdia de SP – só trombólise
  • Hospital São Paulo – UNIFESP – trombectomia (quando há material) e trombólise
  • Hospital Municipal Prof. Dr Alipio Correa Netto (Ermelino Mattarazzo) – só trombólise
  • Hospital dos Servidores Estaduais (IAMSPE)
  • Hospital Santa Marcelina Itaquera (habilitado pelo Ministério da Saúde – Hospital tipo III)
  • Hospital Municipal Dr Arthur Ribeiro de Saboya
  • Hospital das Clinicas de Caieiras

São Paulo – Privados:

  • Hospital Brasil (trombólise e trombectomia)
  • Hospital BP (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Israelita Albert Einstein (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Paulistano (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Samaritano Paulista (trombólise e trombectomia)
  • Hospital 9 de Julho (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Oswaldo Cruz (trombólise e trombectomia)
  • Hospital HCor (trombólise e trombectomia)
  • Hospital São Luiz Anália Franco (trombólise e trombectomia)
  • Hospital São Luiz Morumbi (trombólise e trombectomia)
  • Hospital São Luiz Itaim (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Samaritano Higienópolis (trombólise e trombectomia)
  • Hospital São Camilo Pompéia (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Santa Paula (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Santa Catarina (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Sírio Libanês (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Vitória (trombólise e trombectomia)

Campinas – Públicos:

  • Hosp. UNICAMP – só trombólise
  • Hospital Ouro Verde – só trombólise
  • Hospital da PUCCAMP – só trombólise

Campinas – Privados:

  • Hospital Vera Cruz – trombectomia e trombólise
  • Centro Médico – trombectomia e trombólise
  • Hospital Galileo (Valinhos) – trombectomia e trombólise
  • Hospital Madre Theodora  – só trombólise

Porto Alegre – Públicos:

  • Hospital de Clínicas de Porto Alegre (habilitado pelo Ministério da Saúde – Hospital tipo III)
  • Hospital São Lucas da PUCRS (habilitado pelo Ministério da Saúde – Hospital tipo III)
  • Hospital Santa Casa Porto Alegre (habilitado pelo Ministério da Saúde – Hospital tipo III)
  • Hospital Nossa Senhora da Conceição (habilitado pelo Ministério da Saúde – Hospital tipo III)
  • Hospital Cristo Redentor (habilitado pelo Ministério da Saúde – Hospital tipo III)

Porto Alegre – Privados:

  • Hospital Moinhos de Vento (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Mãe de Deus (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Divina Providência (trombólise e trombectomia)

Brasília – Públicos:

  • Hosp. de Base do DF – só trombólise

Brasília – Privados:

  • Hospital Brasilia – trombectomia e trombólise
  • Hospital Sírio Libanês – trombectomia e trombólise
  • Hospital Santa Luzia – trombectomia e trombólise
  • Hospital Santa Lúcia  – trombectomia e trombólise
  • Hospital Anchieta – trombectomia e trombólise

Fortaleza – Públicos:

  • Hospital Geral de Fortaleza (trombólise e trombectomia)

Fortaleza – Privados:

  • Hospital Monte Klinikum
  • Hospital São Carlos
  • Hospital São Camilo Cura D´ars

Maringá (PR) – Privados:

  • Hospital Paraná (trombólise e trombectomia)

Maceió – Públicos:

  • Hospital Geral do Estado (trombólise)

Maceió – Privados:

  • Hospital Veredas (misto -> público e privado) – Trombectomias do HGE e trombólise (início Jan/2020)
  • Santa Casa de Misericórdia de Maceió (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Arthur Ramos (trombólise)

Goiânia – Públicos:

  • Hospital de Urgências Gov. Otavio Lage de Siqueira – HUGOL

Goiânia – Privados:

  • Instituto Neurológico de Goiânia (trombólise e trombectomia)
  • Instituto de Neurologia de Goiânia
  • Hospital Lúcio Rebelo
  • Hospital Encore
  • Hospital Santa Helena

Vitória – Públicos:

  • Hospital Central de Vitória (trombólise e trombectomia)

Vitória – Privados:

  • Hospital Meridional (trombólise e trombectomia)

Campo Grande – Públicos:

  • Hospital Universitário Ma. Aparecida Pedrossian – UFMS  (só trombólise)

Campo Grande – Privados:

  • Hospital do Coração (trombólise e trombectomia)
  • Hospital El-Kadri (só trombólise)

Curitiba – Públicos:

  • Hospital das Clínicas de Curitiba (habilitado pelo Ministério da Saúde – Hospital tipo III) – Trombólise e trombectomia
  • Hospital Universitário Evangélico Mackenzie – Trombólise

Curitiba – Privados:

  • Hospital Santa Cruz (trombólise e trombectomia)
  • Instituto de Neurologia de Curitiba (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Marcelino Champagnat (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Vita Curitiba
  • Hospital Vita Batel

João Pessoa – Públicos:

  • Hospital de Trauma Sen. Humberto Lucena (só trombólise)
  • Hospital Metropolitano de Santa Rita (trombectomia e trombólise)

João Pessoa – Privados:

  • Hospital UNIMED (trombólise e trombectomia)
  • Hospital N. Sra. das Neves (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Memorial S. Francisco (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Samaritano (trombólise e trombectomia)

Salvador – Públicos:

  • Hospital Geral Roberto Santos (só trombólise)
  • Hospital Municipal de Salvador (só trombólise)

Salvador – Privados:

  • Hospital CardioPulmonar (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Aliança (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Santa Isabel
  • Hospital da Bahia
  • Hospital do Subúrbio
  • Hospital São Rafael (trombólise e trombectomia)

Recife – Públicos:

  • Hospital da Restauração (só trombólise)
  • Hospital Pelopidas Silveira (só trombólise)

Recife – Privados:

  • Hospital Portugues (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Santa Joana (trombólise e trombectomia)
  • Hospital Memorial (trombólise e trombectomia)

Ribeirão Preto – Públicos:

  • Hospital das Clínicas da FMUSP (trombólise e trombectomia)

Ribeirão Preto – Privados:

  • Hospital São Lucas (trombólise e trombectomia)
  • Hospital UNIMED Ribeirão Preto (trombólise e trombectomia)

São Luiz (MA) – Privados:

  • UDI Hospital (trombólise e trombectomia)
  • Hospital São Domingos (trombólise e trombectomia)

Teresina – Privados:

  • Hospital São Marcos (trombólise e trombectomia)

Porto Velho (RO) – Públicos:

  • Hospital Estadual e Pronto Socorro Joao Paulo II (só trombólise)

Palmas (TO) – Públicos:

  • Hospital Geral de Palmas (SUS)

CRASH-3 Trial: Ácido tranexâmico em TCE hiperagudo

Publicado ontem na revista Lancet. Financiado pelo NIH e outras entidades governamentais. Nada de indústria na jogada…

Mais de 12 mil pacientes randomizados para receber placebo ou ácido tranexâmico, dose ataque de 1g e depois 1g a cada 8h. No começo do estudo, permitiam entrada até 8h, mas depois o comitê do estudo restringiu a randomização até 3h do acidente (trauma).

Bem interessante… Foi positivo para desfecho de morte em casos de TCE leve e moderado, e não observado em TCE grave. Houve uma redução significativa do risco de mortalidade relacionada ao TCE quando o ácido tranexâmico foi dado até 3 horas do trauma craniano leve e moderado (RR 0.78 [95% CI 0.64–0.95]), e não houve diferenças entre placebo e o ácido tranexâmico no TCE grave (0.99 [0.91–1.07]).

LINKS

The CRASH-3 Collaborators. Effects of tranexamic acid on death, disability, vascular occlusive events and other morbidities in patients with acute traumatic brain injury (CRASH-3): a randomised, placebo-controlled trial. Lancet 2019. 

PDF online FREE no site da The Lancet. – AQUI. 

Andrew Cap. CRASH-3: a win for patients with traumatic brain injury. Lancet 2019. 

Nota da ABN – Terapia de indução de proteínas de choque térmico: O Quê?!

É isso mesmo.

Se você neuro colega, nunca ouviu isso na vida, possivelmente você não é um ET. Você está certo… Terapia alternativa sendo realizada para prometer “reversão de doenças degenerativas” e anti-aging.

Nota oficial da ABN sobre uma reportagem veiculada pela RedeTV, sobre tratamento alternativo realizado nos EUA por “médico brasileiro”.

Vitamina C: Nossas avós tinham razão?!?! CITRIS-ALI publicado

Apresentado hoje no congresso europeu de Terapia Intensiva, em Berlin, o estudo CITRIS-ALI foi negativo para os desfechos clínicos e de alterações inflamatórias até 198 horas, mas a análise pré-programada de desfecho secundário de mortalidade global em 28 dias demonstrou importante redução de mortalidade no grupo de tratamento com altas doses de Vitamina C endovenosa.

Resultado de imagem para vitamin c endovenous

Como diz um amigo meu: Não serve pra gripe mas reduziu mortalidade em Sepse + SDRA????

Ou…: Vovó tinha mesmo razão…?????

LINKS

Fowler III et al. Effect of Vitamin C Infusion on Organ Failure and Biomarkers of Inflammation and Vascular Injury in Patients With Sepsis and Severe Acute Respiratory FailureThe CITRIS-ALI Randomized Clinical Trial.JAMA 2019.

Brent & Angus. Is High-Dose Vitamin C Beneficial for Patients With Sepsis? JAMA 2019. Editorial.

Plasmaferese em NMO

Há vários autores que advogam o uso precoce da plasmaferese nos surtos de NMO, mas ainda há recomendações formais dos guidelines sobre usar a terapia como segunda linha, apenas quando falha a pulsoterapia, indicando a metilprednisolona por 5 dias, e escalonamento com doses adicionais da pulsoterapia, ainda antes da plasmaferese.

Bonnan e col. publicaram em 2018 uma revisão de seu bando de dados, com base na prática local do grupo, de começar em determinados casos a plasmaferese de forma direta, e comparando as diferentes faixas de tempo do início da plasmaferese com taxas de remissão dos pacientes. Conseguiram comprovar que o quanto mais precoce for instituída a plasmaferese, melhores as chances de desfecho clínico.

Adaptado de Bonnan et al. Short delay to initiate plasma exchange is the strongest predictor of outcome in severe attacks of NMO spectrum disorders. JNNP 2018.

LINKS

Bonnan et al. Short delay to initiate plasma exchange is the strongest predictor of outcome in severe attacks of NMO spectrum disorders. JNNP 2018.

 

Papers novos, interessantes, sobre o tratamento agudo de Hematoma Intraparenquimatoso

Boas publicações, pra pensarmos.

A pergunta: Fazer o que com HIP na sua fase aguda? Baixar a pressão arterial para níveis menores, abaixo de 140mmHg? Manter terapia convencional, abaixo do alvo de 160mmHg?

Afinal, quem segue as recomendações do INTERACT-2? Quem não acredita em baixar pressão arterial em AVCh primário?

Reflexões sobre o INTERACT-2 e ATACH-2…

PS. Vem aí o INTERACT-3. Aguardem…

LINKS

Buletko et al. Cerebral ischemia and deterioration with lower blood pressure target in intracerebral hemorrhage. Neurology 2019.

Moullaali et al. Blood pressure control and clinical outcomes in acute intracerebral haemorrhage: a preplanned pooled analysis of individual participant data. Lancet Neurology 2019.