Hidrocefalia de Pressão Normal ou Hidrocefalia crônica do adulto

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Por Maramélia Miranda ** Atualizado em Outubro 2015

Também conhecida como HPN, sigla do termo “hidrocefalia de pressão normal”, a HPN é uma doença que ocorre em pessoas idosas, por causa de uma desregulação do sistema de produção do líquor cefalorraquiano (LCR) e da capacidade de reabsorção deste líquido no cérebro, levando ao acúmulo do LCR dentro das cavidades cerebrais, chamadas ventrículos.

Sinais e Sintomas da HPN

Os sintomas mais comuns de alteração da marcha, dificuldade de memória e incontinência urinária e/ou fecal é a tríade mais conhecida da doença, mas que está presente por completo apenas em casos mais avançados. É importante suspeitar da HPN quando o indivíduo tem pelo menos dois destes sintomas, junto com os achados característicos da tomografia ou ressonância magnetica (RM) do cérebro.

O paciente pode se queixar de alteração do equilíbrio, ou simplesmente começar a ter quedas repetidas, sem causa aparente, ou lentificação do andar. Muitas vezes o paciente descreve o sintoma da marcha como labirintite ou tonturas. As alterações de memória podem simular quadros de demências, como a Doença de Alzheimer, com confusão mental, desorientação e lentificação do pensamento, esquecimento frequente de fatos recentes, ou quadros depressivos, com sintomas puros de memória e apatia.

Exames Complementares que o neurologista deve solicitar

O diagnóstico da HPN é feito com base na associação destes sintomas de marcha (quedas e alteração para andar), memória (sintomas de demência) e urinários / fecais (perda de urina ou fezes em paciente que não tinha estes eventos). Outros exames são importantes:

— Tomografia do crânio – Já pode mostrar a presença de dilatação dos ventrículos.

— Ressonância magnética do crânio – Detecta com bastante sensibilidade o extravasamento do LCR no cérebro próximo aos ventrículos, bem como a dilatação / hidrocefalia.

— Ressonância magnética do crânio com estudo de fluxo liquórico – É um tipo específico de ressonância pode ajudar na confirmação do diagnóstico da HPN, quando demonstra o fluxo lento do LCR dentro dos ventrículos. Entretanto, este tipo de RM não é muito disponível.

— Exame de LCR com Tap-Test – Consiste na retirada de grandes volumes de LCR (entre 30-40ml) numa mesma punção liquórica. Este exame pode ajudar na investigação da HPN, quando, após a retirada deste LCR, ocorre uma melhora dos sintomas apresentados pelo paciente. Nestes casos, o diagnóstico fica mais provável, e pode ser um indicativo de que este paciente melhorará com a derivação (colocação de válvula).

— Exame de LCR com testes de biomarcadores para demências (Alzheimer) – Na mesma coleta de LCR para retirada (drenagem), podem ser feitas dosagens de alguns biomarcadores para demências, recentemente adicionados à propedêutica destas doenças, como proteína beta-amilóide, proteína Tau total e Tau-fosforilada. Quando se suspeita que o paciente tenha um tipo de demência degenerativa (Alzheimer, Pick, Levy, fronto-temporal) ou a mistura de alguma destas demências com HPN, estes exames podem ajudar no raciocínio do diagnóstico. A desvantagem deles é o seu alto custo (cerca de R$ 2000-3000,00) e pouca disponibilidade dos laboratórios para realizá-los.

Tratamento

A suspeita de HPN deve ser exaustivamente pesquisada justamente porque, dentre as demências, é um tipo com potencial tratamento e melhora.

Uma vez feito este diagnóstico, seu tratamento definitivo é a cirurgia, que consiste na colocação de uma válvula que comunica o ventrículo cerebral com a cavidade abdominal, para drenar o líquor que está sendo produzido em excesso (ou menos absorvido). Esta cirurgia é chamada de colocação de derivação ventrículo-peritoneal, realizada por neurocirurgiões. Tecnicamente, é uma cirurgia bem simples, com baixos índices de complicações e relativamente segura.

** Dra. Maramélia Miranda é neurologista com formação pela UNIFESP-EPM, especializada em AVC e Doppler Transcraniano, editora do blog iNeuro.com.br.

157 thoughts on “Hidrocefalia de Pressão Normal ou Hidrocefalia crônica do adulto”

  1. Simone, Não é possível prever o que irá acontecer após a válvula. há pacientes que não melhoram, outros que pioram, e os que melhoram ou pelo menos estabilizam.
    Impossível prever.

  2. A minha indagação é a mesma do Cosme . No dia seguinte a colocação da válvula , caminhou bem , estava com a cognição boa , saiu do hospital caminhando quase igual antes e achei a cognição pior , o médico vai mexer na pressão da válvula daqui 2 semanas para evitar hematomas . É possível ser isso? Por favor , nos responda , vi que não há uma resposta aos comentários e perguntas . Agradeço se puder dar sua opinião

  3. meu filho Raziel fez uma cirurgia para colocar outra válvula só que antes de colocar a válvula devido a pressão ele ficou sem enxergar mais ele enxergava.e já tem 19 dias que ele colocou a Válvula e n esta enxargando ainda .ele vai voltar a enxergar

  4. Boa tarde Doutora!
    Por gentileza, a minha mãe colocou a válvula a 10 dias; ela tema a idade de 78 anos, foi diagnosticada com hidrocefalia com Pressão Norma.
    No teste do Tap tes ela chegou a andar bem melhor sem se segurar em nada praticamente.
    Agora após a cirurgia ela ta com mais dificuldades de andar e a parte cognitiva dela não melhorou, mas até piorou.
    O que pode ser isso: será que é preciso regular a válvula? Essa piora é normal no inicio? POr favor me orienta…
    Obrigado

  5. Meu pai de 79anos teve o diagnostico de hidrocefalia e foi feito pelo neuro o pedido de cirurgia, pela idade quais as chances de cura ?

  6. Meu exame tc de crânio por contraste apresentou leve ectasia dos ventrilocos laterais devo me preocupar? Médico falou que nada que deva me preocupar. Isso está certo ?

  7. minha mãe tem hidrocefalia, porém o corpo dela não aceita a válvula, em 2003 tentaram duas vezes e drena demais. Agora ela esta com a marcha lenta, com muita dificuldade de andar e desiquilibrio total.. Existe outro tipo de tratamento medicamentoso que possa ajudar ela a ter um pouco mais de estabilidade?

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