Convulsões e Epilepsia: Entenda qual é a diferença!

Por Maramélia Miranda ** (atualizado em Junho de 2018).

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O que é epilepsia e convulsão? Existe cura? Qual a diferença entre ataque epiléptico e epilepsia?

Convulsões, ou crises convulsivas, acontecem frequentemente na prática clínica. Dados americanos estimam a ocorrência de crises convulsivas em cerca de 5% da população. É uma condição muito frequente, em todas as idades, especialmente em crianças nos primeiros anos de vida. A convulsão acontece por causa de uma falha na condução elétrica no cérebro, levando à maior atividade elétrica em algum ponto suscetível deste, o que provoca os sintomas da crise convulsiva (abalos musculares, perda da consciência, salivação, e em alguns casos perda esfincteriana – diurese e evacuação espontânea durante as crises).

Tipos de convulsões

O tipo mais comum e conhecido de convulsões é a crise convulsiva generalizada, onde o indivíduo desmaia, e começa a ter abalos generalizados, sem nenhuma consciência, geralmente revirando os olhos e com hipersalivação acompanhando o quadro. Este tipo de crise, tecnicamente chamado de crise convulsiva generalizada-tônico-clônica, é o caso mais urgente e grave que pode acontecer no manejo das convulsões, uma vez que deve ser prontamente atendido, para evitar lesões cerebrais futuras. Existem entretanto, outros tipos de crises convulsivas, como as crises de ausência – onde o indivíduo apenas perde a consciência e fica com o olhar parado por segundos, voltando ao normal em seguida; as crises parciais complexas, como explica o próprio nome, são mais heterogêneas, e podem dar sintomas mais diferentes, como movimentos da boca, virada da cabeça, mistura de vários movimentos estranhos, sempre com alguma perda da consciência, mas sem desmaio completo, como ocorre nas crises generalizadas. Por fim existem ainda as crises parciais simples, onde o indivíduo acometido apresenta apenas sintomas focais sem nenhuma perda da consciência, como estar num momento conversando e de repente ter um abalo involuntário no braço e perna, incontrolável, ritmado, sabendo descrever tudo o que aconteceu depois disso.

Diagnóstico clínico

Ao levar o parente ou familiar que teve convulsão para ser avaliado pelo médico / neurologista, é muito importante a presença de alguém que testemunhou a crise convulsiva, uma vez que a maioria destas convulsões são generalizadas ou parciais complexas, e o próprio paciente não saberá, portanto, descrever com detalhes tudo o que aconteceu durante o evento. Este detalhamento é importante para o neurologista tentar descobrir a origem ou localização provável da crise, além de tentar classificar esta crise para decidir corretamente a medicação mais apropriada. A classificação das convulsões, além de importante para determinar o melhor medicamento, serve também para tentar estabelecer alguma relação com possíveis causas do problema.

Causas de Epilepsia e Convulsões

A epilepsia ocorre principalmente em crianças, mas pode afetar todas as idades. As causas mais frequentes no adulto são: traumatismo craniano, acidentes vasculares cerebrais (AVC), tumores, malformações vasculares, doenças metabólicas, doenças infecciosas cerebrais ou doenças cardíacas. Na criança, as causas mais comuns são fatores ou doenças genéticas, problemas de oxigenação cerebral ocorridos durante a gestação ou parto, malformações cerebrais, infecções / meningites, e por último as tão conhecidas convulsões febris (decorrentes de febre alta em crianças menores).

Exames complementares

Geralmente o neurologista ou neuropediatra, além de uma boa e detalhada história do acontecimento, ouvindo atentamente o paciente, família e testemunhas da(s) crise(s), costumam solicitar outros exames, como laboratório (exames de sangue ou urina) e eletroencefalograma em todos os casos. Em alguns casos específicos, uma tomografia do crânio e/ou ressonância também são necessários. Este conhecimento de que nem sempre é preciso fazer uma tomografia ou ressonância é fundamental, sobretudo para as famílias de crianças com crises ou adultos com histórico de epilepsia. Nestas últimas situações, uma vez que se classifique a crise ocorrida como, por exemplo, uma convulsão febril numa criança menor, ou um jovem com epilepsia mioclônica co crise convulsiva, não é preciso fazer exames de imagem, sendo estes absolutamente desnecessários!

Convulsão ou Epilepsia? 

Nós neurologistas ouvimos muito este questionamento; e sua explicação é relativamente simples: uma pessoa pode ter uma ou duas convulsões pontuais durante sua vida toda; neste caso, dizemos que o paciente teve crises, convulsão, mas não tem epilepsia.

Por outro lado, o diagnóstico de epilepsia é dado geralmente quando um mesmo indivíduo apresenta duas ou mais convulsões. Nestes casos, caracterizando corretamente a repetição das crises, o seu tipo, e possível causa destas crises convulsivas, denomina-se que o indivíduo tem o diagnóstico de Epilepsia.

O que fazer para ajudar alguém durante uma convulsão?

Primeiro: não se desesperar. Depois, seguir o passo a passo:

  1. A testemunha, amigo ou familiar deve colocar a pessoa deitada, de preferência no chão, com algum apoio na cabeça (roupa ou almofada) e com a cabeça virada de lado (para evitar engasgos com saliva ou vômitos);
  2. Outra pessoa deve imediatamente chamar ajuda por telefone (SAMU, ambulância ou transporte);
  3. Nada de tentar puxar a língua do paciente ou enfiar dedos na boca: no momento da crise, a força e rigidez do paciente pode machucar os dedos de quem tenta fazer isso!
  4. Esperar e tentar arejar o ambiente, pois em geral as crises duram poucos minutos. Se a crise demorar mais do que o habitual, transportar o paciente em ambulância e levar imediatamente ao hospital.

contar tempo de crise

Tratamento

Atualmente há uma gama bastante variada de medicamentos que são muito efetivos para controlar as crises convulsivas e epilepsia. O mais importante é ter o conhecimento que a epilepsia pode e deve sempre ser adequadamente tratada, para proteger o indivíduo de ter futuros ataques, o que pode ser fatal se isso ocorrer enquanto dirigindo, atravessando uma rua movimentada, manejando máquinas ou subindo escadas.

Aqui vai um outro recado: convulsão não mata pelo simples fato da crise em si, mas quando esta crise ocorre num local e situação em que possa acontecer um acidente, por causa da perda da consciência ocorrida durante a crise.

Cirurgias

Este tratamento é reservado para casos onde se detecta alguma lesão ou problema anatômico levando às crises, ou em casos de epilepsia de difícil controle, para tentar ajudar o tratamento com remédios.

Dicas valiosas…

… Para quem teve ou tem convulsões / epilepsia:

Independentemente se você ou algum parente seu toma ou não medicamentos contra convulsões, estas pessoas devem ter em mente que são mais sensíveis, mais suscetíveis às alterações elétricas cerebrais, por isso, a seguir, situações que devem ser evitadas:::

..:
1 – evitar situações de infecções prolongadas ou febre; sempre que tiver alguma infecção ou febre, já iniciar seu tratamento;
2 – evitar períodos de jejum prolongado ou pular refeições (procurar sempre fazer refeições intervaladas com pelo menos 3-4 horas);
3 – evitar privação de sono (passar uma noite acordado, trabalho ou lazer por horas e horas sem períodos de descanso);
4 – evitar o uso excessivo de álcool;
5 – evitar ambientes com estímulos luminosos extremos e repetitivos (por exemplo, entrar numa balada, boate ou casa noturna, e ficar na pista de dança olhando diretamente para aquelas luzes piscantes, o tempo todo!!!)

Martin Pacha 1

6 – Por último, o mais importante: se tiver epilepsia, procure não esquecer de tomar o medicamento anticonvulsivo. Esta é a principal causa de repetição ou recorrência de crises em pacientes epilépticos.

Todas as situações acima podem ser precipitantes de crises convulsivas, em quem tem maior sensibilidade.

 

 

** Dra. Maramélia Miranda é neurologista com formação pela UNIFESP-EPM, editora do blog iNeuro.com.br.

966 thoughts on “Convulsões e Epilepsia: Entenda qual é a diferença!”

  1. Olá pessoal eu tenho câncer cerebral há quatro anos existe muitos tipos de crises convulsivas eu já tive várias de chegar ter 30 crises em um dia e terrível tomei tudo que existe no mercado nunca resolveu então decide tomar o óleo de canabediol foi a único remédio que está resolvendo já faz 4 meses sem crises eu recomendo quem quiser saber mais estou a disposição meu e-mail denise16doia@gmail.com

  2. Bom dia doutora
    Eu fiz exames IRM e tudo mais o médico me disse que não sou epilético, mais o estranho é que tenho convulsões só quando consumo um pouco do normal bebidas alcoólicas e não na mesma hora mais sim no dia seguinte , tem como antes da crise começar evitar isso porque a crise não me dá na mesma hora , tenho choques e choques até chegar o momento de acontecer
    Obrigado

  3. Tenho 2 Neto que tem crises um de 2 anos que teve deve quando tinha um aninho ele toma depakeme líquido é comprido deve quando comercou até agora janeiro de 2021 ele já deu 10 crises é o de 10 anos também tem crises comercou em março 2020 ele está sentindo crises 4 vezes ao dia 2 vezes a noite é está tomando depakeme comprido 500 mg mais mesmo assim está dando crises 3 a 5 vezes ao dia porque nós estamos perdido não sei mais o que fazer

  4. Tenho 42 anos e a mais de 10 anos tenho crises epilépticas convulsivas, já tomei vários remédios indicados por neurologistas, ( Trileptal 600 mg 12/12 hs. Total 1.200mg por dia, junto com o Rivotril 2 mg ), depois o Trileptal foi substituído pelo lamotrigina, 400 mg por dia 12/12hs. junto também com o Rivotril 2 mg., tenho muita perda de memória, meu cabelo está caindo bastante. Estou com uma cirurgia marcada, então gostaria de saber se após a cirurgia, ainda vou ficar tomando esses remédios e continuar com as minhas crises ?
    O lamotrigina pode ser substituído pelo Topiramato ?

  5. Meu irmão tem epilepsia a muitos anos ele tem 28 anos nos sofremos muito com isso ele da a crise qdo consome álcool começou dps de um acidente emuito triste pois as crises dele são horríveis

  6. Dra tenho epilepsia mioclonica juvenil, desde os 11 anos, hj estou com 47 , e tbm crises de ausencia. Mas as crises estavam controladas. Comecei no meu trabalho , exercer funçao de triagem de cartas, que é uma atividade mto repetitiva e apos dois meses nessa funçao estou com as crises totalmente descontroladas, piorei demais. Qual a relaçao nisso?

  7. O diagnostico de descarga epileptiforme isolada generalizada em crianca pode ser tratada com suplementacao de vitamina D e B ou outro tipo?

  8. Boa Tarde tbm preciso de uma resposta de uma ajuda…em 2013 fiz um esforço físico e no momento tive dores fortes subindo pelo pescoço e passando para a nuca….fui levada p Hospital onde vomitei mto ….foi feito todos exames tomografia e ressonância…e nada constou….de lá p cá já tive 5 convulsões mordo a língua faço xixi e não lembro de nada….foram feito novamente outros e exames tomo e ressonância e nada é encontrado …a última convulsão foi nessa quinta feira dia 06/01/2021 estava dormindo ..meu marido percebeu q eu estava babando…me levou juntamente c minha filha p Unimed 24 hs todos exames foram feito e eu tenho saúde perfeita…..pelo amor de Deus alguém me ajuda😪
    Fico feliz q não tenho nada mas qual a causa dessas convulsões?

  9. Meu filho desdo primeiro ano de vida que apresenta convulsão quando está com febre,já e a quinta vez que ele apresenta ,é ele está com três anos de idade,fizemos exame nele e acusou que ele tem heteropia cerebral,porém a médica disse que atrapalharia ele desenvolver rápido como as demais criancas,é não passou nenhum remédio pra ele tomar…..
    Minha pergunta é, se é normal ele sempre que tiver febre ficar dando convulsão assim…..

  10. Boa tarde,
    Minha bebê nasceu com mielomeningocele e hidrocefalia, fez a correção ao nascer, a dela não é tão grave . Porém 3 dias após colocar a válvula DVP em casa eu percebi ela ausente . Chamava e ela não reagia estáva com 28 dias de vida.
    Será que é uma crise de ausência ou pode ser outra coisas

  11. Essa semana, dia 9, faço 23 anos. A epilepsia apareceu aos 13 anos. Hj, dia 3/01/21, foi um dos piores dias da minha vida! Minha crise é a parcial… Onde só perco a consciência. Eu tenho 2 tipos: a parcial simples e complexa. A complexa é quando fiko totalmente inconsciente e acabo dormindo. A parcial “simples” é a q acho mais chata! É onde fiko perdendo a consciência várias vezes ao dia em questão de segundos… Geralmente vejo brilhos, mas muita vezes nem sei explicar oq sinto. N aguento mais! Já tentei tanto remédio, já mudei de clínica, médico… E nd resolve! N consigo mais ter esperança… Só queria sumir desse mundo!

  12. Boa noite, tudo bem?
    Tive traumatismo craniano em novembro de 2009. No ano de 2020 tive 2 convulsões. Há relatos de após tanto tempo ter casos assim?

  13. Boa noite
    Meu namorado usa carbamazepina estava com dosagem de 600mg ao dia
    Mesmo assim convulsionou
    Já é a segunda vez

    Passamos pelo clínico geral no pronto socorro ele falou da 800 mg ao dia
    Se ocorrer novamente
    Você dá 800 mg ao dia e no meio do dia dar fenitoína de 100 mg

    Gostaria de um auxílio sobre
    Esse medicamentos ,se pode conjuminar carbamazepina + fenitoína.

    Agradeço desde já

  14. Tomo remédio de eplepsia e tou sentindo crise porque tomo medicação certa . porque isso acontece as crises repetindo

  15. Meu filho teve convulsão duas vezes ja ele tem 2 anos e 8 meses .É u gostaria de saber se barulho muito altos afeta nas crises convulsivas?

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