Refrigerantes Diet aumentam risco de AVC e Demência

Você é igual a muitos, como eu e alguns amigos e amigas fanáticas, que addooooooooram (ou adoravam) uma Coca-cola Zero daquelas beeeeemmmmmm geladas?!?!?!

Resultado de imagem para Coca Zero  Resultado de imagem para guaraná zero

Deu água na boca?!?!?!

Então leia, e tente achar algum erro estatístico no paper abaixo, publicado recentemente pela Stroke.

Depois a gente conversa.

LINKS

Pase et al. Sugar- and Artificially Sweetened Beverages and the Risks of Incident Stroke and Dementia. A Prospective cohort. Stroke 2017. 

Wersching et al. Sugar-Sweetened and Artificially Sweetened Beverages in Relation to Stroke and Dementia. Are Soft Drinks Hard on the Brain? Stroke 2017. Editorial.

Metformina: Vilã ou mocinha??????

Assim fica difícil. Depois de visto o abstract que tinha saído ano passado (paper ainda não publicado), e ter ficado bem feliz com os meus casos de DM tipo 2 usando metformina, na ilusão de estar protegendo seus cerebrosinhos de DA e Parkinson… Aí vem essa.

Okey… Primeiro… Em 2016…

Na conferência americana de Diabetes, um estudo com pacientes veteranos americanos mostrou que o uso de metformina foi protetor para aparecimento de DA, Parkinson e transtorno cognitivo leve, e o efeito foi tão maior quanto maior o tempo de uso da droga…

Vejam os números na coorte estudada de mais de 6 mil pacientes, lembrando que foi estudo retrospectivo:

” (…)  the rates of neurodegenerative disease by cohort were 2.08 cases per 100 person-years for those who received no metformin treatment, 2.47 per 100 person-years for those treated with metformin for less than 1 year, 1.61 per 100 person-years for those treated 1-2 years, 1.30 per 100 person-years for those treated 2-4 years, and 0.49 person-years for those treated 4 years or more. The longer patients took metformin, the less likely they were to develop neurodegenerative disease.”

Agora…

Agora?! Ferrou mesmo!!! O estudo atual incluiu 9300 casos de diabéticos tipo 2, acompanhados por 12 anos. Problema: população de Taiwan. Outro problema: não explicitaram o controle do DM na população. E outro que o paper também não foi publicado. Mas o fato é que a pesquisadora principal encontrou um risco de DP e DA mais do que o dobro nos que usavam metformina…

 

LINKS

Qian S et al. The Effect of Metformin Exposure on Neurodegenerative Disease among Elder Adult Veterans with Diabetes Mellitus. ADA 2016.

Brauser D. Metformin Use Linked to Increased Dementia, Parkinson’s Risk in Patients With Diabetes. AD/PD 2017. Fonte: Medscape 2016.

“Head Turning Sign”: Viva o Exame Neurológico!!!!!!

Sinal de “Virar a Cabeça”.

Ah…… Você já viu.

Com-certeza!!!!!!!!!!!!!!!!!

Caso clássico: Doente com queixa amnéstica, ou aquele paciente cujos familiares o arrastam à consulta com o neuro, preocupados porque o paciente está esquecido.

Você começa a fazer as perguntas para o doente, e ele (ou ela) constantemente vira a cabeça para o acompanhante, ou familiar, ou cuidador, olhando e pedindo a dica da resposta: “eu… Tenho 67 anos, não é, fulano?”

Ou: “Hoje é… Que dia é mesmo, filho?”…

Procurei no Youtube.com o sinal para ilustrar aqui… Não tem. Resolvi ilustrar com uma fotinho do nosso Presidente-interino e seus super-power ministros. A olhadela que o paciente dá é parecida com essa aí em cima – do Eliseu Padilha pro Temer.

Pois é. Este sinal, descrito desde 1996 em livros textos de Neurologia, mais recentemente foi estudado por alguns grupos, tendo sido um autor japonês o primeiro a tentar correlacionar o sinal propedêutico com demências relacionadas à Doença de Alzheimer (veja link abaixo).

Agora, no Congresso de Neurologia Europeu deste ano, um grupo português apresentou dados interessantes, num estudo com 78 pacientes, divididos em subtipos de TCL (transtorno cognitivo leve) amnéstico, DA e demência frontotemporal.

Vejam só:

A definição de Sinal do Virar a Cabeça neste estudo foi a seguinte: com o paciente sentado à frente do acompanhante (cuidador / familiar), com este posicionado cerca de 1 metro / 45 graus atrás do paciente, o médico perguntava 5 questões predefinidas, e entre elas:  “Quando foi sua última refeição?” ou “Qual data é hoje?” O sinal era graduado em 0-5 pontos de acordo com a quantidade de vezes que o paciente virava a cabeça para pedir ajuda.

Neste estudo português, o Sinal do Virar a Cabeça foi positivo em 83.3% dos casos de DA e em 44.4% no grupo com TCL amnéstico. A sensibilidade para DA foi de 80%, com especificidade mais baixa, 53%. Até correlação entre o sinal neurológico e a proteína tau (P = .002) e fosfotau (P = .002) no LCR veio com significância estatística!!!!!!

É mole!!!!!???? Temos que nos render.

Viva o exame Neurológico. De olho nos sinais!!!!!!!!

REFLEX-TEST

Um abração a Silvana Sobreira, colega Neuro, preceptora da residência de Neurologia em Recife, PE, e seus residentes, que pediram posts sobre semiologia neurológica!!!!

Gente, preciso da ajuda de vocês!!!! Mandem textos!!!!!!

LINKS

Fukui et al. Can the ‘Head-Turning Sign’ Be a Clinical Marker of Alzheimer’s Disease. Dementia and Geriatr Dis 2011.

Anderson P. Head Turning Sign May Help Identify Alzheimer’s. Medscape, Junho 2016.

Guideline para uso de antipsicóticos em Demências

Vamos combinar: prescrever quetiapina para delirium hiperativo e demenciados, qualquer médico prescreve!!!!!

Você… Que é um neurologista fino, estudioso, atualizado, leitor deste modesto blog… Tem a obrigação de saber os detalhes de cada droga, quando usar olanza ou quando preferir risperidona, ou quando aumentar as drogas, ou quando insistir na quetiapina… E quando não aumentar, e simplesmente trocar o agente…

Deve saber os efeitos adversos mais frequentes, os neurolépticos que sedam mais, que controlam agotação melhor, ou seja… Simplesmente tudo!!!!

Portanto, essa diretriz da American Psychiatry Association é leiturinha obrigatória pra nós, neuros.

Nada de quetiapina pra todo mundo, por favor! Senão eu finjo que não conheço vocês todos!!!!

LINK

Reus et al. The American Psychiatric Association Practice Guideline on the Use of Antipsychotics to Treat Agitation or Psychosis in Patients With Dementia. Am J Psychiatry 2016.

Consenso da AAN sobre Hidrocefalia de Pressão Normal

A Academia Americana de Neurologia – AAN, publicou em dezembro passado, um consenso para o diagnóstico e manejo da HPN. Doencinha de difícil diagnóstico, em muitos casos, e pior ainda quando a questão é responder se o tratamento de primeira linha disponível hoje, que é a derivação ventriculo-peritoneal irá ou não funcionar. O artigo traz vários conceitos relativamente novos, além do conhecido tap-test, como escores clínicos que auxiliam a classificação sintomática dos pacientes e variáveis de hidrodinâmica liquórica, como teste de infusão no espaço liquórico, e as medidas de pressão inicial e final após a infusão, para calcular a resistência liquórica, variáveis que podem ser preditoras de resposta positiva ou negativa ao shunt.

Interessante.

LINK

Halperin et al. Practice guideline: Idiopathic normal pressure hydrocephalus: Response to shunting and predictors of response. Neurology 2015.

Dieta Mediterrânea: Estudo com ressonância magnética

Um grupo da Columbia publicou em outubro passado, na Neurology, um estudo de coorte com idosos saudáveis (sem demência), avaliando seus hábitos alimentares – categorizando-os como baixa ou alta aderência à dieta mediterrânea, e correlacionando estas variáveis com aspectos da ressonância magnética, como volume cerebral, da substância branca e cinzenta, espessura cortical e volumes dos lobos cerebrais.

Indivíduos com maior aderência à dieta mediterrânea tiveram maiores volumes total cerebral, de substância cinzenta e branca. Quem comia mais peixe, e menos carne, teve maiores volumes de substância cinzenta… O mesmo ocorreu com os volumes totais dos lobos temporais, frontal, cíngulo e hipocampos. Tudo isso com significância estatística… Os autores concluem o trabalho assim:

“Among older adults, MeDi (dieta mediterrânea) adherence was associated with less brain atrophy, with an effect similar to 5 years of aging. Higher fish and lower meat intake might be the 2 key food elements that contribute to the benefits of MeDi on brain structure.”

Eu já não era muito fã… Agora, então…

LINKS

Gu et al. Mediterranean diet and brain structure in a multiethnic elderly cohort. Neurology 2015.

PET com amilóide x Biomarcadores no LCR: Quem ganhou no diagnóstico de DA????

Publicado ASAP em 30 de setembro, este artigo comparou os dois métodos, biomarcadores no LCR e a imagem do PET com amilóide, no diagnóstico de DA precoce, em população com declínio cognitivo leve que desenvolveu a doença.

Depois adiciono mais informações do paper. O artigo está com acesso aberto na homepage da Neurology.

Por enquanto fiquem com a conclusão do abstract.

Conclusions: Amyloid PET and CSF biomarkers can identify early AD with high accuracy. There were no differences between the best CSF and PET measures and no improvement when combining them. Regional PET measures were not better than assessing the global Ab deposition. The results were replicated in an independent cohort using another CSF assay and PET tracer. The choice between CSF and amyloid PET biomarkers for identifying early AD can be based on availability, costs, and doctor/patient preferences since both have equally high diagnostic accuracy.

LINK

Palmqvist et al. Detailed comparison of amyloid PET and CSF biomarkers for identifying early Alzheimer disease. Neurology 2015.

Fonte da imagem: www.mayoclinic.org

Resveratrol para Alzheimer: Funciona!?

Um estudo multicêntrico americano, randomizado e controlado, duplo-cego, de fase 2 (desenhado para demonstrar segurança da terapia ativa), foi publicado recentemente na revista Neurology, levantando mais uma vez a bola do resveratrol, molécula presente em alguns alimentos e no vinho tinto (oba!), na terapia de demências como a demência por Doença de Alzheimer (DA).

Atenção, pessoal. O paper está com acesso aberto na revista!!! Corram e baixem de lá…

Estudo

Turner e col avaliaram 119 pacientes com o diagnóstico de provável demência por DA, em uso regular de anticolinesteráricos ou memantina,  com MME entre 14-26, e escore de Hachinsky < 5; o estudo constou de uso de placebo ou resveratrol 500 mg em doses escalonadas, com incrementos a cada 13 semanas chegando à dose final de 1000mg duas vezes ao dia. Os pacientes estudados foram avaliados com estudo de ressonância magnética e dosagens laboratoriais dos biomarcadores no sangue e liquor cefalorraquiano (LCR).

Outras causas de demência foram excluídas da amostra, bem como pacientes com microhemorragias na RM e diabetes em tratamento. Os desfechos primários medidos foram a volumetria do cérebro total do hipocampo e córtex etorrinal, e mudanças da volumetria dos ventrículos, todos através do estudo de RM; e trajetória dos níveis plasmáticos de Ab40 e Ab42, e dos níveis no LCR de Ab40, Ab42, Tau e fosfo-tau 181.

Resultados

Eventos adversos ocorreram de forma semelhante nos grupos ativo e placebo (355 vs 302 eventos adversos, respectivamente). Os efeitos adversos mais observados foram diarréia, náusea e perda de peso.

O grupo placebo ganhou mais peso durante o estudo (follow-up de 1 ano), enquanto o grupo ativo do estudo perdeu peso (0.92kg, +4.9 kg (média e DP, p = 0.038)… Ohhhh!!!!!!! (gostei!). Resultado dentro do esperado para o efeito sobre o peso já previamente observado em outros estudos com resveratrol.

Os níveis liquóricos e séricos de Ab40 Ab40 tiveram um declínio mais rápido no grupo placebo. Entretanto, a terapia com resveratrol correlacionou-se com maior perda volumétrica cerebral (ops!!!!! não gostei…), achado cuja etiologia ainda não está muito clara, mas que não teve correlação com declínio cognitivo.

O estudo, que não tem poder estatístico para fazer comparações de desfechos clínicos, mostrou que não houve diferenças nos escores de Mini-Mental,  “Alzheimer’s Disease Assessment Scale–cognitive” (ADAScog), “Clinical Dementia Rating–sum of boxes” (CDR-SOB) e inventário neuropsiquiátrico (“Neuropsychiatric Inventory” – NPI. Mas na escala “Activities of Daily Living Scale” (ADCS-ADL) o declínio foi menor no grupo ativo (p=0.03).

Conclusões

Resumindo a ópera:

— Resveratrol foi seguro e bem tolerado; e penetrou a barreira hematoencefálica para causar seus efeitos no SNC; 🙂

— Resveratrol levou a maior perda de peso;  🙂  🙂  🙂

— Resveratrol aumentou a velocidade de perda volumétrica cerebral;  🙁

— resveratrol mudou a trajetória dos biomarcadores de DA, no sentido de reduzir a queda da proteína beta amilóide no sangue e LCR ao longo de 12 meses de tratamento.  🙂  🙂  🙂

Retirado do paper original:::

“Conclusions: Resveratrol was safe and well-tolerated. Resveratrol and its major metabolites penetrated the blood–brain barrier to have CNS effects. Further studies are required to interpret the biomarker changes associated with resveratrol treatment. Classification of evidence: This study provides Class II evidence that for patients with AD resveratrol is safe, well-tolerated, and alters some AD biomarker trajectories. The study is rated Class II because more than 2 primary outcomes were designated.”

LINKS

Turner et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of resveratrol for Alzheimer disease. Neurology 2015.

Ma et al. Resveratrol as a therapeutic agent for Alzheimer’s disease. Biomed Res Int 2014.

Omega 3 or No-Omega 3: That is the question…

Então…

Será que minhas capsulinhas de Omega 3 tomadas religiosamente todos os dias estão sendo em vão?!?!?!?!

JAMA publicou na semana passada uma sub-análise de um estudo sobre degeneração macular, o “Age-Related Eye Disease Study 2” – AREDS2, que testou placebo versus suplementação com omega 3, algumas vitaminas e luteína / zeaxantina, em desenho multifatorial para o tratamento específico da doença oftalmológica. De quebra, aproveitando o “gancho” do trial, os pesquisadores pegaram o grupo de pacientes que usaram Omega 3 e os controles, e aplicaram testes cognitivos via telefone, a cada 2 anos, em mais de 3700 pacientes, num total de 5 anos de follow-up.

Não houve diferenças nos testes neuropsicológicos aplicados entre os grupos placebo e Omega 3, no baseline e após o follow-up…

E agora???? Será que adianta dar Omega 3 para prevenção de declínio cognitivo???

LINKS

Chew et al. Effect of Omega-3 Fatty Acids, Lutein/Zeaxanthin, or Other Nutrient Supplementation on Cognitive Function: The AREDS2 Randomized Clinical Trial. JAMA 2015.

AAN 2015 resumido em… 30 linhas

Novidades da Academia Americana de Neurologia de 2015… Em pouco mais de 30 linhas.

Highlights dissecados por neuros franceses. Publicados na Revue Neurologique.

Maravilha!!!!! Merci, Dr. Sibon et collègues !!!!

Aos neuronautas que conseguirem a façanha de ter o artigo na íntegra, pleeeease… I want!!! Detalhe, texto em francês.

Por enquanto, ficamos apenas com o abstract em inglês.

Abstract

Cerebrovascular diseases

The benefit of the thrombectomy using stents retrievers in the acute stroke phase is now demonstrated when there is a proximal occlusion of an intracranial artery, whatever its mechanism. The place of the anticoagulants in the management of cervical artery dissections remains uncertain, while the benefit of the blood pressure control in the secondary prevention of deep and lobar intracerebral hemorrhages is critical. The development of cardiac MRI, prolonged cardiac monitoring and transcranial doppler seems to improve the diagnosis of cardio-embolic sources of stroke.

Epilepsy

A specialized urgent-access single seizure clinic represents a model which reduces wait-times and improves patient access after a first fit. Co-locating a psychiatrist within outpatient epilepsy center leads to a reduction in psychiatric symptoms and people with psychogenic non-epileptic seizures. When neurologists around the world assess identical case scenarios for the diagnosis of epilepsy, concordance is between moderate and poor, showing that epilepsy diagnosis remains difficult. More than one third of elderly with new-onset epilepsy of unknown etiology exhibit temporal lobe atrophy on brain imaging.

Movement disorders

There is no major progress in the therapeutic approach of Parkinson’s disease but the discovery of new genetic markers such as glucocerebrosidase mutations may greatly change our knowledge of the disease process and may induce new therapeutic strategies in the future. The natural history of the disease is also better understood from the prodromal phase to the post-mortem analysis of the brain and the classification of the processes based on abnormal protein deposits.

Dementia

The respective value of biomarkers (amyloid imaging versus CSF biomarkers) for in vivo diagnosis of Alzheimer’s disease (AD) has been detailed. Therapeutic expectations mainly rely on anti-Aβ immunization trials performed in preclinical (and no longer prodromal) stages of AD, with the aim of slowing the evolution of neuronal loss. Besides a lot of communications on dementia genetics or physiopathogeny, fascinating and promising results were presented on deep brain stimulation for depression resistant to medical treatment.

Peripheral neuropathy

Ibudilast, administered with riluzole, is safe and tolerable in patients with amyotrophic lateral sclerosis (ALS), improves ALS function and delays progression. Patients with painful small fiber neuropathy have a high rate of mutations in the SCN9A gene, coding for Nav1.7 voltage-gated sodium-channels. Peripheral nerve lymphoma (NL) is a multifocal painful neuropathy that causes endoneurial inflammatory demyelination: primary NL is less severe than secondary NL, which occurs after remission, suggesting that nerve may be considered a “safe lymphoma haven”.

Multiple sclerosis (MS)

Biotin in progressive forms of MS and daclizumab in relapsing-remitting forms appear to be promising treatments. In case of failure of current first-line and/or second-line therapeutics, alemtuzumab may be an interesting alternative treatment. Teriflunomide, dimethyl fumarate and fingolimod are oral treatments with confirmed efficacy and acceptable safety. Besides vitamin D insufficiency and smoking, which are confirmed risk factors for the disease, testosterone insufficiency (in males) and obesity are emerging risk factors, which could also be corrected.

LINK

Sibon et al. American Academy of Neurology, Washington, 18–25 avril 2015. Rev Neurol 2015.