Novas diretrizes ACC/AHA do manejo do colesterol – 2018

Diretriz publicada concomitantemente ao gigante congresso da AHA 2018, que ocorreu este ano em Chicago, USA.

 

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Grundy et al. 2018 AHA/ACC/AACVPR/AAPA/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA Guideline on the Management of Blood Cholesterol. A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation 2018.

Será??!?!?!?! Apple Watch 4 poderá detectar FA?

Por Maramélia Miranda e Felipe Barros **

Atualização em tempo real.

O evento da Apple hoje em Cupertino, na Califórnia, mostrou, além dos novos modelos de iPhones, a 4a. geração do Apple Watch, com a promessa de, já tendo sido certificado pelo FDA, detector fibrilação atrial, bradicardias e fazer um ECG…

Será? Holter de 365 dias?!

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Burns M. Apple Watch Series 4 can detect AFib and perform an ECG. www.techcrunch.com. Acessado em 12 set 2018. 

Warren T. Apple Watch Series 4 includes a bigger display and a built-in EKG scanner. In: The Verge.

Video do Youtube.com – Introducing Apple Watch Series 4

https://www.apple.com/br/apple-watch-series-4/

** Felipe Barros é neurologista clínico, pós-graduando em Neurologia Vascular na UNIFESP/EPM, fissurado, como eu e muitos de vocês, leitores, em tecnologia.

PS. Não sou applemaníaca, mas se isso se confirmar… Vai ficar difícil não usar…

Ultrassonografia transcraniana em Doença de Parkinson

Super legal! Paper detalhando a experiência do grupo de Brasília, do Hospital de Base – Centro de Referência em Parkinson e Distúrbios do Movimento, no diagnóstico de parkinsonismo e DPI (doença de Parkinson idiopática).

O estudo da colega de BSB Talyta Grippe mostrou alta sensibilidade (93,4%) e especificidade (86,6%) para o diagnóstico de DPI.

Aqui vou fazer um chamado: Quais colegas, e onde, estão disponibilizando este exame no Brasil? Respondam na área de comentários, pois vou relacionar e publicar aqui a lista dos nomes e locais no nosso país.

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Grippe et al. Is transcranial sonography useful for diagnosing Parkinson’s disease in clinical practice? Arq Neuropsiquiatr 2018.

Walter & Skoloudik. Transcranial Sonography (TCS) of Brain Parenchyma in  Movement Disorders: Quality Standards, Diagnostic Applications and Novel Technologies. Ultraschall in Med 2014. Artigo de revisão em inglês.

Berg & Walter. Transcranial Sonography in Movement Disorders. Ed. Science Direct. Livro sobre o tema.

Li et al. Diagnostic Accuracy of Transcranial Sonography of the Substantia Nigra in Parkinson’s disease: A Systematic Review and Meta-analysis. Nature Scientific Reports 2016.

WAKE-UP Trial: Publicado!

Estudo bem importante, o WAKE-UP – Efficacy and Safety of MRI-Based Thrombolysis in Wake-Up Stroke – avaliou pacientes com sintomas leves-moderados de AVCi, tempo de início dos sintomas desconhecido, e seleção por imagem com Ressonância Magnética.

O critério usado para a inclusão dos casos foi a presença de mismatch entre as sequências de difusão (DWI) e FLAIR (lesão com restrição à difusão e sem hiperintensidade no FLAIR), excluídos casos com oclusão arterial de grande vaso, e os tratamentos testados foram alteplase EV versus placebo. Os desfechos clínicos foram melhores no grupo ativo do que no placebo.

O estudo foi interompido pela parade de seu financiamento, não atingindo o n planejado de 800 pacientes, mas conseguiu randomizar pouco mais de 500 pacientes nos dois grupos de tratamento.

Foi positivo, mas com esta ressalva.

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Thomalla et al, from WAKE-UP Investigators. MRI-Guided Thrombolysis for Stroke with Unknown Time of Onset. NEJM 2018.

Trombose Venosa Cerebral: Guidelines mais recentes e recomendações

Guia de sobrevivência básico para neurohospitalistas na condução de pacientes com TVC:

  • Cefaleia que não passa, refratária, persistente: Investigue. RM e AngioRM já podem dar o diagnóstico.
  • Tratamento de primeira linha: heparinização plena, preferencialmente com heparina de baixo peso (que tem segurança melhor do que heparina convencional);
  • Não tenha medo: anticoagular pleno, mesmo em casos com infartos venosos e hematomas/transformação hemorrágica. Tenha calma, frieza, respire fundo, e tenha certeza: se você não anticoagular, a congestão venosa e o hematoma irão piorar;
  • Não dar corticóides, a não ser em casos de Behcet com a associação de TVC;
  • Fármacos antiepilépticos, apenas em quem tiver crises;
  • Trombólise e trombectomia são terapias para casos selecionados, e ainda não há consenso sobre suas indicações;
  • Hemicraniectomia para infartos extensos com hipertensão intracraniana pode ser indicada;
  • Pacientes com TVC poderão engravidar após o evento, desde que com uso de heparina de baixo peso durante a gestação.

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Ferro et al. European Stroke Organization guideline for the diagnosis and treatment of cerebral venous thrombosis – endorsed by the European Academy of Neurology. Eur J Neurology 2017.

Saposnik et al. Diagnosis and Management of Cerebral Venous Thrombosis. A Statement for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke 2011.

Mudanças nos formulários do Alto Custo em São Paulo

Atenção colegas neuros que prescrevem medicamentos de Alto Custo em São Paulo, SP.

A partir do mês passado, a Secretaria do Estado de São Paulo está exigindo que os médicos preencham os campos de nome da mãe, no formulário de LME, e datas, tanto na LME quanto nas receitas das drogas a serem dispensadas.

+++ Formulários e Impressos da Farmácia de Alto Custo

Assim, deve ser colocada a data na LME, que terá validade de 3 meses, e das datas de cada mês a ser dispensado o medicamento, nas receitas do mês 1, 2 e 3, respectivamente. E atenção: Se os formulários forem digitados (impressos via computador), suas datas e todos os campos preenchidos também deverão ser… Se forem escritas à mão, o médico deverá escrever nos campos, sob pena do paciente ter que voltar ao seu ambulatório para fazer o processo todo novamente…

Pra quê simplificar, não é mesmo?!

Vamos complicar, que assim é que é bom…

EURAP Registry: Qual é o antiepiléptico mais seguro na gravidez?

Estudo prospectivo internacional, base de dados gigante, de milhares de pacientes em 42 países no mundo todo, 87% centros europeus.

Impacto altíssimo. Dados estatísticos indiscutíveis. Paper para leitura obrigatória.

Importantíssimo para a nossa prática.

Estudaram simplesmente 7355 gestações, analisando as 8 drogas antiepilépticas mais prescritas em monoterapia no mundo, e observando desfechos de efeito teratogênicos.

Ranking dos FAE

Atenção amigos: Abaixo, a listinha Top 8 – em ordem descrescente – do uso, nesta base de dados, de monoterapia em epilepsia:

  1. Lamotrigina
  2. Carbamazepina
  3. Valproato
  4. Levetiracetam
  5. Oxcarbazepina
  6. Fenobarbital
  7. Topiramato
  8. Fenitoína

Resultados

Maior dose do FAE = maior efeito teratogênico, na maioria das drogas.

Comparações entre drogas. Fizeram. Comparativo de doses. Fizeram.

Campeão de efeito teratogênico? Valproato, dose-dependente (maior dose, maiores taxas de eventos). Com dose > 1400mg, pouco mais de 25%, e menor que 600mg, 6,3%.

Drogas mais seguras: Lamotrigina, em doses menores ou iguais a 325mg ao dia (frequência de malformações congênitas = 2,5%), levetiracetam (2,8%, qualquer dose) e oxcarbazepina (3% em qualquer dose).

Realmente, este artigo é muitíssimo interessante!!!!!!! Amei.

Mais uma que não sabia: o tão comentado e prescrito ácido fólico não serve pra nada em redução de malformações congênitas… !!!!! Chocada fiquei. Não sabia disso.

Já havia resultado similar em estudos prévios. Boa. Mas o efeito na redução de alterações cognitivas após o nascimento e redução de autismo é observado, e a recomendação de dar folato às futuras mamães usuárias de FAE prossegue firme e forte, mas por causa disso!

Conclusões

Trata-se do maior estudo de banco de dados prospectivos até hoje realizado e publicado comparando diferentes tipos de FAE e os riscos de malformações congênitas “major” em casos de gravidez usando as drogas.

Abstract conclusion:

” Different antiepileptic drugs and dosages have different teratogenic risks. Risks of major congenital malformation associated with lamotrigine, levetiracetam, and oxcarbazepine were within the range reported in the literature for offspring unexposed to antiepileptic drugs. These findings facilitate rational selection of these drugs, taking into account comparative risks associated with treatment alternatives. Data for topiramate and phenytoin should be interpreted cautiously because of the small number of exposures in this study.”

LINKS

EURAP Homepage

Tomson et al. Comparative risk of major congenital malformations with eight different antiepileptic drugs: a prospective cohort study of the EURAP registry. Lancet Neurology 2018. 

Penell P. Prescribing antiepileptic drugs to women of reproductive age. Lancet Neurology 2018.