Microcateter robótico: O que os engenheiros do MIT estão desenvolvendo

Vejam só:

 

Dr. Ronie Piske

Tristeza.

Muita tristeza. Dr. Ronie Piske, grande neurorradiologista intervencionista, faleceu esta manhã, em S. Paulo.

Deixará seu legado na especialidade, e muitos, muitos discípulos, que receberam seus ensinamentos ao longo de décadas, nas angiosuites da Beneficência Portuguesa.

Que Deus conforte a família e os amigos mais próximos. A Neurologia Vascular e a Neurointervenção perderam um de seus pioneiros.

VELÓRIO: Capela Beneficiencia Portuguesa. Rua Maestro Cardim nº 769, Bela Vista

Dagigatrana em Trombose Venosa Cerebral: RESPECT-CVT Trial finalmente publicado

Publicado ONTEM, para felicidade da comunidade neurológica.

Estudo: RE-SPECT CVT – A Clinical Trial Comparing Efficacy and Safety of Dabigatran Etexilate With Warfarin in Patients With Cerebral Venous and Dural Sinus Thrombosis)

Dabigatrana foi efetiva, quando comparada ã varfarina, em análise exploratória inicial de 120 pacientes, com follow up de 25 semanas, com taxas de recorrência de TVC similares, sangramentos similares, recanalização parecidas (um pouco maiores no braço da varfarina).

Houve um sangramento intestinal maior (1.7%; 95% CI, 0.0-8.9) no grupo do DOAC, e 2 (3.3%; 95% CI, 0.4-11.5) hemorragias intracranianas no grupo da varfarina. A recanalização ocorreu em 33 casos tratados com dabiga (60.0%; 95% CI, 45.9-73.0) e 35 tratados com varfarina (67.3%; 95% CI, 52.9-79.7). A dose de dabiga testada foi de 150mg 2x ao dia.

Não leiam só o abstract. Vale a pena ler o paper todo. BEM INTERESSANTE.

 

LINKS

Ferro et al. Safety and Efficacy of Dabigatran Etexilate vs Dose-Adjusted Warfarin in Patients With Cerebral Venous ThrombosisA Randomized Clinical Trial. JAMA Neurol 2019.

João Gilberto

Repostando aqui uma lembrança minha, de 2014, venerando o mestre João Gilberto e o seu LP ganhador do Grammy, à época, Getz/Gilberto.

Gênio. Gênio da Bossa Nova. Infelizmente, o que ninguém tem coragem de falar, mas deveria ter sido melhor tratado (“medicamente” falando, se é que me entendem). O lance da reclusão, não gostar de sair de casa, o comportamento de abandonar shows, o jeito meio rabugento, a causa da sua morte meio nebulosa, tudo isso, na minha visão, teria “tratamento” com um bom profissional ou time de profissionais. Se assim o fosse, teríamos tido a oportunidade de muito mais aproveitar o talento e a genialidade deste grande ícone da música mundial…

Stan Getz e João Gilberto – Pra machucar meu coração

getz-gilb

Leituras da semana

 

T. Mills. The Top AI Healthcare Trends Of 2019. Forbes. June 28, 2019.

Raber et al.The rise and fall of aspirin in the primary prevention of cardiovascular disease. Lancet 2019.

Liao et al. Pioglitazone and cardiovascular outcomes in patients with insulin resistance, pre-diabetes and type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis. BMJ 2017.

What`s up, doc? The front line of England’s NHS is being reinvented. The Economist. June 27, 2019.

Robba et al. Brain Ultrasonography Consensus on Skill Recommendations and Competence Levels Within the Critical Care Setting. Neurocrit Care 2019. 

Punia et al. Comparison of Attention for Neurological Research on Social Media vs AcademiaAn Altmetric Score Analysis. JAMA Neurology 2019. 

 

 

Ele está consciente, doutor? Ativação cerebral pelo EEG, em coma arresponsivo

Este artigo é fenomenal! E será – sem dúvida, uma referência a partir de agora, no entendimento do assunto complexo que é prognosticar pacientes com coma arresponsivo em situações de lesões cerebrais agudas.

Foi publicado na semana passada, na NEJM, com editorial e inúmeras manifestações e críticas, todas bastante positivas, por expoentes importantes da Academia, nas redes sociais.

Estudo

O grupo de pesquisadores americanos da Columbia University (NYC) liderados por Jan Claassen, estudou prospectivamente grupo de pacientes na neuroUTI do seu hospital, que tinham diversos tipos de lesão cerebral aguda e estavam em situação de coma sem resposta aos estímulos verbais.

Avaliaram as respostas no EEG destes pacientes, com a adição de machine learning no EEG para a detecção destas respostas, quando estes pacientes eram expostos a estímulos verbais à beira-leito. Depois disso, avaliaram desfechos funcionais na alta em em 12 meses (usando a GOS-extended scale) e compararam estes desfechos clínicos com os achados das respostas eletrofisiológicas no EEG.

De um total de 104 pacientes estudados, 16 (15%) tiveram ativação cerebral detectada pelo EEG modulado com software de IA-Machine learning.

50% dos casos com resposta no EEG, versus 26% nos casos sem resposta, melhoraram de algum modo durante a internação, ao ponto de atenderem comandos simples antes da alta.

Em 12 meses de follow-up, 44% dos pacientes com respostas positivas no EEG, versus 14% nos casos sem resposta, tiveram escala GOS-E de 4 ou mais pontos, significando, portanto, independência funcional de pelo menos 8 horas durante o dia (OR, 4.6; 95% Cl, 1.2-17.1).

Ou seja, apesar de pequeno, unicêntrico, uma barbaridade de observação clínica, principalmente em se tratando de centro americano, onde, sabemos, existe bastante a conduta de retirada de cuidados – às vezes bastante precoce, a chamada self-full-filling prophecy… Os autores concluíram que – na fase aguda de uma lesão cerebral aguda, cerca de 15% com exame clínico de coma arresponsivo, apresentam ativação cerebral no EEG, aos comandos motores.

LINKS

Claassen et al. Detection of Brain Activation in Unresponsive Patients with Acute Brain Injury. NEJM 2019.

Menon & Chennu. Inverting the Turing Test — Machine Learning to Detect Cognition in the ICU. NEJM 2019 – Editorial.