Epilepsia Mioclônica Juvenil

Tags: epilepsia, crises de tremores noturnos, abalos noturnos ou ao acordar, mioclonias

Por Maramélia Miranda **

Introdução. A epilepsia mioclônica juvenil (EMJ) é um tipo de epilepsia generalizada, caracterizada por movimentos mioclônicos (tremores rápidos no corpo), e às vezes desenvolvimento para crises convulsivas generalizadas.É um tipo de epilepsia relativamente comum, de caráter benigno, respondendo bem aos tratamentos anticunvulsivantes tradicionais.

Sintomas. As crises de mioclonias (tremores nas extremidades ou no corpo, de aspecto incoluntário, costumam iniciar-se na adolescência, e durante estes movimentos os pacientes apresentam a consciência preservada. É comum aparecerem crises geralmente ao acordar, muitas vezes precipitadas por privação do sono ou estresse. Em cerca de 80% dos casos de EMJ, costuma haver a concomitância com crises generalizadas do tipo tônico-clônicas, com perda da consciência, abalos musculares e liberação dos esfincteres. A EMJ representa cerca de 5 a 10% das epilepsias como um todo.

Diagnóstico. É baseado nos sintomas e sinais clínicos, história inicial, e nas características das crises. O eletroencefalograma (EEG) auxilia quando há a presença de descargas generalizadas. Exames de imagem são realizados para excluir lesões estruturais do cérebro. É importante, além da história descrita pelos própriso pacientes, algum testemunho a parte, de algum familiar.  Em geral, as características abaixo estão presentes:

  • – Sintomas iniciando-se na adolescência;
  • – Principal sintoma sendo a presença de movimentos como abalos musculares rápidos, como tremores, “saltos”, ou “pulos” dos músculos do corpo, costumeiramente ocorrendo ao acordar, mas podendo também ocorrer à noite;
  • – Não há perda da consciência, com os pacientes permanecendo acordados durante a ocorrência destas crises mioclônicas;
  • – Inteligência e intelecto normais;
  • – Fatores precipitantes definidos (sono ruim, estresse, álcool);
  • – Cerca de 17 a 49% dos casos de EMJ tem história familiar de epilepsia;
  • – Miclonias: usualmente rápidas, bilaterais, como contrações descoordenadas envolvendo sobretudo os ombros e braços;
  • – As mioclonias podem evoluir para ausência ou crises generalizadas, em cerca de 80% dos casos.

Fatores precipitantes das crises mioclônicas. Falta de sono, cansaço, esquecer de tomar a medicação, infecções, beber bebida alcóolica. Estímulos visuais repetitivos (fotosensibilidade). Todos estes fatores são especialmente frequentes em adolescentes, motivo pelo qual devem ser orientados neste sentido.

Tratamento e Prognóstico. O tratamento baseia-se no uso de medicações (anticonvulsivantes) para bloquear a ocorrência das mioclonias, e consequentemente a possibilidade de generalização das crises. O medicamento de primeira linha, a primeira escolha, por ser altamente efetivo para estas crises, é o ácido valpróico (Depakene ou Depakote), nas doses de 250mg 2 x dia até 2g dia.

O prognóstico destes pacientes é muito bom, e a doença costuma ter um curso benigno, favorável, com bom controle das crises uma vez isntituído o tratamento. Após um período de pelo menos cinco anos sem crises, costuma-se fazer a tentativa de desmame dos anticonvulsivantes.

** Dra. Maramélia Miranda é neurologista com formação pela UNIFESP-EPM, especializada em AVC e Doppler Transcraniano, editora do blog iNeuro.com.br.

113 thoughts on “Epilepsia Mioclônica Juvenil”

  1. Tenho 28 anos de idade, aos 10 anos desencadeou minhas crises EMJ, tive crises muito fortes, quedas bruscas em uma delas tive traumatismo craniano, entrei em depressão, foi uma fase muito difícil na minha adolescência, tomei diversos remédios até achar a combinação correta onde as crises cessaram, tomo LAMOTRIGINA, CLONAZEPAN, DEPAKOTE E KEPRA. O mais complicado é que DEPAKOTE E O KEPRA são remédios de auto custo, para ter condições para comprar tive que aposentar por invalidez para comprar os remédios.

  2. Meu nome é Deivid Costa, sou guitarrista e tenho EMJ, eu aprendi a controlar as crises sem medicamentos, no meu caso é preciso apenas dormir bem. Eu trabalho como professor de música, a doença não me fez incapaz, afinal, sempre há uma saída.

  3. Tenho uma filha com este tipo de problema.começou na adolescência, num surto de espasmo.pensei que se tratava de epilepsia. Chamei médico constatou espasmos.Só que de lá pra cá piorou. Hj se trata com psiquiatra e medicação. Mas aos meus olhos é muito lendo quase inotoro melhora.agora trocou de medicação É dosagem.Tenho medo que ela caia e se machuque ou que dê um mais prolongado levando ela ao desmaio coisa que já aconteceu.gostaria tanto de pelo menos entender o porquê deste distúrbio. E se tem cura.

  4. Queria uma ajuda pois minha cunhada tem 28 anos e ela tem várias crises em um só dia crises fortes de derrubar de cair no chão direto e se machucar só anda quebrando dente perna braça horrível .queria que alguém me ajudasse

  5. Olá.. meu nome é Nicole, e eu tenho epilepsia miocrônica juvenil, mas já tive perdas de memória,muitas vezes após as crises, acordo e não lembro meu nome,nem nada.. tomo depakene, tenho muitas falhas na memória durante o dia, nas quais me perco, onde estou.. tenho 19anos, esse meu resultado clínico saiu a uns 5 anos atrás.. será que houve algum erro no mundo diagnóstico..

  6. Oi meu nome é flávio e meu filho tem dois anos e a três meses; ele começou a ter crises; eu gostaria de saber se ele vai ficar dependente de remédios; ou com o amadurecimento ele vai ficar curado; atualmente ele está tomando ķeppra; se alguém puder me ajudar, agradeço.

  7. Olha; meu nome é Barbara; descobri que tinha EMJ, com 13 anos, quando tive minha primeira crise, MSM tomando medicações, pq ate acertar uma q não me deixa ter crises e espasmos durante uns 3 a 4 meses, foi o fenobarbital de 100mg, e isso não afetou eu engravida; tive 2 filhos super saudáveis.

  8. Boa noite minha filha tem EMJ ha 14 anos, toma lamotrigina de 100 mg, nao tem crise generalizada, mas as mioclonias nunca cessaram.

  9. yasmim, não deve ser feito nada de cirurgia para EMJ. Apenas medicamentos.

  10. Tive a primeira crise uma convulsão aos 15 anos. Está dormindo e levantei pra tomar café..fou onde vai.. Hoje tenho 38 anos e contínuo tomando carbamazepina 3 ao dia de 200mg …porem tenho espasmo tipo como um choque ou um susto quase sempre . Recentemente o médico passou torval de 500mg para tomar a noite junto com o carbamazepina. Mas como faço tto no sus vive trocando de médico. É a última vez que fui o médico disse que não se pode tomar torval junto com carbamazepina…que um anula o efeito do outro. Não sei o que fazer? Contínuo tomando o carbamazepina pois sinto que ele segura as crises maiores. Mas queria não ter mas esses espasmo que tanto atrapalha a minha vida

  11. Simplesmente adorei as dicas citadas aqui, realmente a infertilidade é um grande problema que afeta muitas mulheres e acredito que com um bom tratamento nós podemos conseguir o tão sonhado filho ou filha. Adorei seu blog.

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