Marijuana e Vasoconstricção Reversível: Há correlação?

Perguntinha e discussão muito legal hoje no ambulatório, com base em um caso levado pelos nossos fellows. Pode haver RCVS (síndrome da vasoconstricção cerebral reversível – sigla em inglês) por uso de maconha?

Poder, pode. Mas temos que saber que não é uma causa frequente. Outras substâncias (cocaína, vasoconstrictores, anfetaminas, triptanos, IRSS) são mais descritas como triggers da síndrome.

   >> TC crânio: HSA cortical típica de RCVS.

Lembrando: se o paciente tiver sintoma agudo de cefaleia em trovão, recorrente, súbita, intensa, inédita, junto com uma HSA cortical, ele praticamente leu o livro antes de vir conversar com você. Esta é a apresentação de uma RCVS típica.

LINKS

Ducros et al. The clinical and radiological spectrum of reversible cerebral vasoconstriction syndrome. A prospective series of 67 patients. Brain 2007.

Wagner et al. The Impact of Marijuana Legalization on Reversible Cerebral Vasoconstriction Syndrome. Neurology 2016. Poster apresentado no congresso da AAN em 2016.

Uhegwu et al. Marijuana induced Reversible Cerebral Vasoconstriction Syndrome. J Vasc Interv Neurology 2015.

Guideline europeu sobre Trombose Venosa Cerebral

tags: TVC; trombose venosa cerebral; tratamento de trombose venosa cerebral; heparina na trombose venosa cerebral.

Atenção pessoal… Em trombose venosa cerebral, é somente anticoagular por 6m a um ano, colher exames de trombofilias e acabou!?

Não é bem assim. Tem muitas coisas novas na literatura, estudos observacionais, controlados, metanálises, analisando os aspectos principais do diagnóstico e do tratamento, incluindo os esquemas de tratamento diferentes que existem hoje na prática clínica.

Várias coisas mudaram na doença TVC que temos em mente, de 10-15 anos atrás…

Perguntinhas básicas, como: Coletar ou não pesquisa de trombofilias, e quando coletar? Fazer ou não screenning para neoplasias? Quanto tempo anticoagular? Podemos usar os anticoagulantes novos? Qual terapia é a melhor na fase aguda? Trombólise ou trombectomia funciona?

Abaixo, algumas respostas que podem nos ajudar. Leiturinha obrigatória.

Ferro et al. European Stroke Organization guideline for the diagnosis and treatment of cerebral venous thrombo sis endorsed by the European Academy of Neurology. Eur J Neurology 2017.

HERMES Collaboration Group publica: Anestesia geral é pior para trombectomia

Publicado em janeiro de 2018. Lancet Neurology.

Usou 7 estudos controlados de trombectomia, totalizando 871 pacientes tratados com trombectomia.

O desfecho medido do escore de Rankin em 3 meses foi melhor em quem não foi submetido a anestesia geral.

LINKS

Campbell et al. Effect of general anaesthesia on functional outcome in patients with anterior circulation ischaemic stroke having endovascular thrombectomy versus standard care: a meta-analysis of individual patient data. The Lancet Neurology 2018. 

Fellowship em Neurologia Vascular – UNIFESP

Atenção neuros interessados em AVC, Neurointensivismo e Doppler transcraniano.

Estão abertas as incrições para o programa de Neurologia Vascular da Disciplina de Neurologia da UNIFESP, em São Paulo.

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Inscrições AQUI – Site oficial da UNIFESP – Pós graduação.

Serão três vagas, para um programa de duração de um ano que inclui reuniões clínicas conjuntas do grupo de Neurocirurgia, Neurointervenção e Neuroclínica Vascular, atividades práticas em atendimento ambulatorial e da fase aguda aos pacientes com doenças cerebrovasculares, manejo de pacientes neurocríticos em unidade de terapia intensiva neurológica (NeuroUTI com 9 leitos), e também no aprendizado e capacitação no exame complementar de Doppler Transcraniano.

Veja todos os detalhes no site acima, da Pós-Graduação da UNIFESP.

Guidelines da ACC e AHA sobre o manejo de Hipertensão Arterial 2017: Resumo

De forma bem resumida, tema que tem que ser obrigatoriamente conhecido por todos nós, clínicos!!!!!!!!

Texto retirado da publicação da JAMA deste mês – AQUI.

Guideline title – 2017 ACC/AHA/AAPA/ABC/ACPM/AGS/APhA/ASH/ASPC/NMA/PCNA Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation, and Management of High Blood Pressure in Adults

Developer – American College of Cardiology (ACC) and American Heart Association (AHA)

Release date – November 13, 2017

Previous version 2003 (Seventh Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure [JNC 7])

Target population Patients with or at risk of developing cardiovascular disease (CVD)

Major recommendations

  1. Diagnosis

    • Blood pressure (BP) should be categorized as normal (<120/80 mm Hg), elevated (120-129/<80 mm Hg), stage 1 hypertension (130-139/80-89 mm Hg), or stage 2 hypertension (≥140/90 mm Hg) (strong recommendation; moderate-quality evidence).

    • Out-of-office BP measurements are recommended to confirm the diagnosis of hypertension and for titration of BP-lowering medication in conjunction with telehealth counseling or clinical interventions (strong recommendation; high-quality evidence).

  2. Initiating therapy

    • Many nonpharmacologic interventions that are effective in lowering BP are recommended for people with elevated BP or hypertension (strong recommendation; high-quality evidence).

    • Blood pressure–lowering medication is recommended for patients with clinical CVD or an estimated 10-year atherosclerotic CVD (ASCVD) risk of 10% or higher who have a systolic BP (SBP) of 130 mm Hg or higher or a diastolic BP (DBP) of 80 mm Hg or higher (strong recommendation; high-quality evidence [for SBP] and expert opinion [for DBP]).

    • For patients with no history of CVD and an ASCVD risk of less than 10%, BP-lowering medication is recommended for patients who have an SBP of 140 mm Hg or higher or a DBP of 90 mm Hg or higher (strong recommendation; low-quality evidence).

  3. Management

    • In patients with CVD or ASCVD event risk of 10% or higher, a BP target of less than 130/80 mm Hg is recommended (strong recommendation; moderate-quality evidence [for SBP] and expert opinion [for DBP]). A BP target of less than 130/80 mm Hg may also be reasonable in low-risk patients (weak recommendation; moderate-quality evidence [for SBP] and expert opinion [for DBP]).

    • In patients warranting pharmacotherapy, thiazide diuretics, calcium channel blockers (CCBs), and angiotensin-converting enzyme (ACE) inhibitors or angiotensin II receptor blockers (ARBs) are recommended as first-line agents (strong recommendation; high-quality evidence).

    • Patients with stage 2 hypertension and an average BP of more than 20/10 mm Hg above their BP target should begin therapy with 2 first-line agents of different classes (strong recommendation; expert opinion).

Dawn Trial publicado na NEJM!

Neste final de semana, a NEJM publicou o artigo completo do estudo DAWN, em concomitância com a apresentação de novos dados de sub-análise do estudo, durante o congresso anual da Society of Vascular and Interventional Neurology (SVIN), em Boston, EUA.

Pra relembrar, o estudo DAWN, trial multicêntrico americano coordenado pelos neurointervencionistas Raul Nogueira e Tudor Jovin, foi interrompido por eficácia após 200 doentes randomizados, com seus dados apresentados em maio deste ano, no ESOC (European Stroke Organisation Conference), e demonstrou excelentes resultados no tratamento com trombectomia mecânica para pacientes selecionados com mismatch clínico-radiológico, entre 6 a 24 horas.

Resultado de imagem para dawn trial

Parabéns aos neurorradiologistas pelo brilhante trabalho, e a todos nós, neurovasculares, que agora temos à disposição, com evidência comprovada, uma terapia a ser dada aos pacientes com Wake-up strokes, e naqueles casos tardios (6 a 24 horas) com grande penumbra isquêmica e infartos definitivos pequenos.

Luta futura: implantar protocolos, logística, pré-hospitalar efetivo, e adicionar este tratamento aos nossos pacientes menos favorecidos, na rede pública de saúde do Brasil.

E que venham os resultados do DEFUSE 3!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

LINKS

Nogueira et al. Thrombectomy 6 to 24 Hours after Stroke with a Mismatch between Deficit and Infarct. NEJM 2017. 

Hacke W. A New DAWN for Imaging-Based Selection in the Treatment of Acute Stroke. NEJM 2017. Editorial.

SVIN 2017. Landmark DAWN study presented at SVIN meeting with New England Journal of Medicine release. Nov 2017. 

 

Refrigerantes Diet aumentam risco de AVC e Demência

Você é igual a muitos, como eu e alguns amigos e amigas fanáticas, que addooooooooram (ou adoravam) uma Coca-cola Zero daquelas beeeeemmmmmm geladas?!?!?!

Resultado de imagem para Coca Zero  Resultado de imagem para guaraná zero

Deu água na boca?!?!?!

Então leia, e tente achar algum erro estatístico no paper abaixo, publicado recentemente pela Stroke.

Depois a gente conversa.

LINKS

Pase et al. Sugar- and Artificially Sweetened Beverages and the Risks of Incident Stroke and Dementia. A Prospective cohort. Stroke 2017. 

Wersching et al. Sugar-Sweetened and Artificially Sweetened Beverages in Relation to Stroke and Dementia. Are Soft Drinks Hard on the Brain? Stroke 2017. Editorial.