Será??!?!?!?! Apple Watch 4 poderá detectar FA?

Por Maramélia Miranda e Felipe Barros **

Atualização em tempo real.

O evento da Apple hoje em Cupertino, na Califórnia, mostrou, além dos novos modelos de iPhones, a 4a. geração do Apple Watch, com a promessa de, já tendo sido certificado pelo FDA, detector fibrilação atrial, bradicardias e fazer um ECG…

Será? Holter de 365 dias?!

LINKS

Burns M. Apple Watch Series 4 can detect AFib and perform an ECG. www.techcrunch.com. Acessado em 12 set 2018. 

Warren T. Apple Watch Series 4 includes a bigger display and a built-in EKG scanner. In: The Verge.

Video do Youtube.com – Introducing Apple Watch Series 4

https://www.apple.com/br/apple-watch-series-4/

** Felipe Barros é neurologista clínico, pós-graduando em Neurologia Vascular na UNIFESP/EPM, fissurado, como eu e muitos de vocês, leitores, em tecnologia.

PS. Não sou applemaníaca, mas se isso se confirmar… Vai ficar difícil não usar…

WAKE-UP Trial: Publicado!

Estudo bem importante, o WAKE-UP – Efficacy and Safety of MRI-Based Thrombolysis in Wake-Up Stroke – avaliou pacientes com sintomas leves-moderados de AVCi, tempo de início dos sintomas desconhecido, e seleção por imagem com Ressonância Magnética.

O critério usado para a inclusão dos casos foi a presença de mismatch entre as sequências de difusão (DWI) e FLAIR (lesão com restrição à difusão e sem hiperintensidade no FLAIR), excluídos casos com oclusão arterial de grande vaso, e os tratamentos testados foram alteplase EV versus placebo. Os desfechos clínicos foram melhores no grupo ativo do que no placebo.

O estudo foi interompido pela parade de seu financiamento, não atingindo o n planejado de 800 pacientes, mas conseguiu randomizar pouco mais de 500 pacientes nos dois grupos de tratamento.

Foi positivo, mas com esta ressalva.

LINK

Thomalla et al, from WAKE-UP Investigators. MRI-Guided Thrombolysis for Stroke with Unknown Time of Onset. NEJM 2018.

Trombose Venosa Cerebral: Guidelines mais recentes e recomendações

Guia de sobrevivência básico para neurohospitalistas na condução de pacientes com TVC:

  • Cefaleia que não passa, refratária, persistente: Investigue. RM e AngioRM já podem dar o diagnóstico.
  • Tratamento de primeira linha: heparinização plena, preferencialmente com heparina de baixo peso (que tem segurança melhor do que heparina convencional);
  • Não tenha medo: anticoagular pleno, mesmo em casos com infartos venosos e hematomas/transformação hemorrágica. Tenha calma, frieza, respire fundo, e tenha certeza: se você não anticoagular, a congestão venosa e o hematoma irão piorar;
  • Não dar corticóides, a não ser em casos de Behcet com a associação de TVC;
  • Fármacos antiepilépticos, apenas em quem tiver crises;
  • Trombólise e trombectomia são terapias para casos selecionados, e ainda não há consenso sobre suas indicações;
  • Hemicraniectomia para infartos extensos com hipertensão intracraniana pode ser indicada;
  • Pacientes com TVC poderão engravidar após o evento, desde que com uso de heparina de baixo peso durante a gestação.

LINKS

Ferro et al. European Stroke Organization guideline for the diagnosis and treatment of cerebral venous thrombosis – endorsed by the European Academy of Neurology. Eur J Neurology 2017.

Saposnik et al. Diagnosis and Management of Cerebral Venous Thrombosis. A Statement for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke 2011.

Indicadores de qualidade e performance em AVCh

Atenção. Atualizem os IQs do seu serviço.

Para AVCh:

  1. Uso do ICH score na admissão
  2. Reversão de coagulopatia
  3. Profilaxia de TVP/TEV
  4. Admissão do paciente em UTI ou Unidade de AVC
  5. Screening para disfagia em 24h
  6. Avaliação de disfagia antes de alimentação VO
  7. Início de terapia antihipertensiva de longo-prazo
  8. Acesso à reabilitação
  9. Evitar uso de corticosteróides

LINK

Hemphill et al. Clinical Performance Measures for Adults Hospitalized With Intracerebral Hemorrhage: Performance Measures for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke 2018.

Trials apresentados hoje na ESOC 2018

Muitos trials.

Definitivamente, este congresso a cada ano se supera. Uma leva boa dos grandes estudos em andamento foi apresentada pela manhã em Gothemburg, com concomitantes publicações em algumas revistas médicas, a saber: 4 papers na NEJM, um na Nature, um na Lancet e outro na Lancet Neurology… Apenas.

Muita coisa. Interessantes e que podem mudar alguns aspectos da nossa prática do AVC. Abaixo, listo os principais.

LINKS

NAVIGATE-ESUS

— Paper na NEJM AQUI.

WAKE-UP

— Paper da NEJM AQUI.

POINT

— Paper na NEJM AQUI.

TICH-2. 

— paper TICH-2 na Lancet AQUI.

SETIN-HYPERTENSION

MEGASTROKE

CROMIS-2

— paper na Lancet Neurology AQUI.

TIA REGISTRY. Artigo da NEJM AQUI. 

Congresso Europeu de AVC: Streaming ao vivo dos Trials!!!

Você vacilou, como eu, e não conseguiu ir ao ESOC deste ano, na Suécia, em Gothemburg?

Pois bem… Entrei hoje no site do evento pra ver o que eu iria perder, os trials que estão pra sair, e ficar ainda mais com raiva de mim mesma… E não é que vejo aquela imagem linda na minha frente…

A organização vai fazer streaming dos eventos principais, favorecendo a máxima do que tenho em mente, do porquê que estamos aqui neste mundo… Aprender, viver, passar pra a frente, disseminar conhecimento, experiências, ensinar o que nos ensinam, aos que nos ensinam, e neste caso em específico, difundir a ciência.

Claro, óbvio, que o mais legal é ir até os congressos, fazer amizades, expandir seu networking, ver as aulas, e aproveitar pra turistar um pouco nos intervalinhos minúsculos. A seguir, listo as 3 sessões que terão Streaming do ESOC 2018:

Official Welcome & Large Clinical Trials
Wednesday 16 May, 10:30 – 12:00 (horário Brasil = 05h30)

Presidential Symposium – Awards & Trials
Wednesday 16 May, 14:30 – 16:00 (horário Brasil = 10h30)

Action Plan for Stroke in Europe (Joint ESO – SAFE Session)
Thursday 17 May, 14:30 – 16:00 (horário Brasil = 10h30)

O fuso horário da Suécia é exatamente 5h a menos do nosso brasileiro (horário de BSB). Portanto, pessoal, na próxima quarta-feira, vamos todos madrugar!!!!!!

Se alguém ainda quiser ir pra lá, dá tempo, mas tem que pegar o vôo HOJE!!!  :))))

Tenecteplase x alteplase: The battle begins!!!!

Publicado o estudo EXTENDED-IA TNK, na NEJM, que avaliou a não-inferioridade da tenecteplase (dose 0,25mg/kg, máxima dose 25mg) em relação à terapia trombolítica de primeira linha – a única até então, a alteplase (rTPA), na sua dose habitual e na janela de tempo normal (até 4,5h).

Estudo positivo para não-inferioridade e superioridade (p=0,002 e 0,03, respectivamente), com segurança (desfechos de sangramento) similares.

Agora a questão é a seguinte: Sendo a TNK melhor, sabemos que é mais cara…

Em breve, analisaremos aqui a custo-efetividade, a diferença de custo entre as duas drogas.

Hoje na nossa reunião semanal surgiu a dúvida: será que 25mg de TNK é muito mais caro que 2 frascos de rTPA (dose usualmente aberta para fazer a trombólise nos moldes que fazemos atualmente)?

Mais uma droga para evitar Resultado de imagem para emoji mão apontando…?

LINKS

Campbell et al. Tenecteplase versus Alteplase before Thrombectomy for Ischemic Stroke. NEJM 2018. 

Marijuana e Vasoconstricção Reversível: Há correlação?

Perguntinha e discussão muito legal hoje no ambulatório, com base em um caso levado pelos nossos fellows. Pode haver RCVS (síndrome da vasoconstricção cerebral reversível – sigla em inglês) por uso de maconha?

Poder, pode. Mas temos que saber que não é uma causa frequente. Outras substâncias (cocaína, vasoconstrictores, anfetaminas, triptanos, IRSS) são mais descritas como triggers da síndrome.

   >> TC crânio: HSA cortical típica de RCVS.

Lembrando: se o paciente tiver sintoma agudo de cefaleia em trovão, recorrente, súbita, intensa, inédita, junto com uma HSA cortical, ele praticamente leu o livro antes de vir conversar com você. Esta é a apresentação de uma RCVS típica.

LINKS

Ducros et al. The clinical and radiological spectrum of reversible cerebral vasoconstriction syndrome. A prospective series of 67 patients. Brain 2007.

Wagner et al. The Impact of Marijuana Legalization on Reversible Cerebral Vasoconstriction Syndrome. Neurology 2016. Poster apresentado no congresso da AAN em 2016.

Uhegwu et al. Marijuana induced Reversible Cerebral Vasoconstriction Syndrome. J Vasc Interv Neurology 2015.

Guideline europeu sobre Trombose Venosa Cerebral

tags: TVC; trombose venosa cerebral; tratamento de trombose venosa cerebral; heparina na trombose venosa cerebral.

Atenção pessoal… Em trombose venosa cerebral, é somente anticoagular por 6m a um ano, colher exames de trombofilias e acabou!?

Não é bem assim. Tem muitas coisas novas na literatura, estudos observacionais, controlados, metanálises, analisando os aspectos principais do diagnóstico e do tratamento, incluindo os esquemas de tratamento diferentes que existem hoje na prática clínica.

Várias coisas mudaram na doença TVC que temos em mente, de 10-15 anos atrás…

Perguntinhas básicas, como: Coletar ou não pesquisa de trombofilias, e quando coletar? Fazer ou não screenning para neoplasias? Quanto tempo anticoagular? Podemos usar os anticoagulantes novos? Qual terapia é a melhor na fase aguda? Trombólise ou trombectomia funciona?

Abaixo, algumas respostas que podem nos ajudar. Leiturinha obrigatória.

Ferro et al. European Stroke Organization guideline for the diagnosis and treatment of cerebral venous thrombo sis endorsed by the European Academy of Neurology. Eur J Neurology 2017.