Síndrome das Pernas Irriquietas

Por Maramélia Miranda. Atualização em Maio 2016.

Tags: pernas irriquietas, distúrbio do sono, síndrome das pernas inquietas, restless leg syndrome

Introdução. A Síndrome das Pernas Irriquietas (SPI) é uma doença neurológica que se caracteriza pela sensação desconfortável sentida nos membros inferiores, quando se está em posição sentada ou deitada, com a necessidade urgente de levantar-se, caminhar ou movimentar as pernas.  A SPI pode começar em qualquer idade, mas costuma acometer adultos na maturidade, e piora com o envelhecimento. Pode causar distúrbios do sono, levando à sonolência durante o dia, e ser um fator de estresse durante as atividades de vida diária dos indivíduos acometidos, sobretudo em relação às atividades sociais, de trabalho e lazer.

Sintomas. Os sintomas mais comuns variam conforme o tipo de acometimento / queixas dos pacientes, e podem incluir:

  • Sintomas diurnos: Começam durante uma parada de atividade das pernas durante alguma atividade do indivíduo, quando se está deitado e parado, ou sentado por algum tempo, como, por exemplo, numa missa, apresentação, aula, palestra ou evento afim, em um teatro ou cinema. Esta sensação pode ser descrita de várias formas, como “coceira”,  “alfinetadas”, “comichão”, “formigamento”, “agonia”, “friagem”, “pernas querendo movimentar-se sozinhas”, etc. Os sintomas são aliviados pelo movimento, desde o simples esticar das pernas, até, mais frequentemente, o levantar e andar um pouco. Entretanto, algumas pessoas podem combater as sensações apenas balançando as pernas ou batendo os pés no chão. Estas formas de aliviar os sintomas principais é que deram o nome à síndrome (pernas irriquietas).
  • Piora dos sintomas à noite. Uma boa parcela dos pacientes apresentam os sintomas mais neste período do dia, com queixas de dificuldade em pegar no sono, por causa da sensação ruim assim que deitam-se na cama para dormir. Outros casos, entretanto, podem ter uma associação desta dificuldade ou insônia inicial, com a presença de movimentos ritmados nas pernas durante o sono mais profundo, situação que pode caracterizar o transtorno de movimentos periódicos do sono. Nestes casos, é comum a queixa de sonolência durante o dia.

Diagnóstico. É baseado nos sintomas referidos pelos pacientes, geralmente bem característicos, e na forma de alívio encontrada na história apresentada. Algumas condições são consideradas fatores de risco para o desenvolvimento da SPI, como história de algum familiar com a doença, a gravidez, que pode desencadear a abertura dos sintomas, deficiência de ferro, neuropatias periféricas e distúrbios metabólicos, como a insuficiência renal crônica.

Para o correto diagnóstico da SPI, o Grupo de Estudo Internacional em SPI – ” International Restless Legs Syndrome Study Group” – considera a presença de SPI quando há os quatro ítens descritos abaixo:

  • – Presença de forte, urgente e irresistível vontade de mover as pernas, acompanhada de sensação de desconforto destas. As sensações podem ser descritas como: formigamento, espetadas, ferroadas, repuxões, coceira ou agonia.
  • – Os sintomas se iniciam ou pioram quando do repouso, em posição sentada ou deitada.
  • – Os sintomas melhoram parcial e temporariamente com a atividade, como andar ou esticar as pernas.
  • – Os sintomas são mais intensos à noite.

Exames de sangue ou testes de condução nervosa e/ou muscular (eletroneuromiografia) podem ser realizados para excluir outras causas de SPI. A polissonografia, embora não necessária para a confirmação clínica, costuma ser pedida por causa da associação frequente da SPI com movimentos periódicos do sono. Na maioria dos casos não se identifica uma causa básica para a ocorrência da SPI.

Tratamento e Prognóstico. O tratamento baseia-se no uso de medicações para o alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida, sobretudo no aspecto do sono, para aqueles com as formas mais noturnas, e no aspecto social, para aqueles com sintomas mais diurnos, de inquietação das pernas quando do repouso, em eventos no trabalho ou atividades de lazer, como em viagens de avião, por exemplo. Geralmente são usados o pramipexole, a levodopa / benzerazida, gabapentina, diazepínicos. Estudos controlados publicados em 2012 observaram boa resposta ao tratamento com pregabalina. A reposição de ferro ou o tratamento da neuropatia periférica é realizada nos casos específicos com estas alterações. O prognóstico dos pacientes com SPI é bom, e a doença não costuma ter complicações a longo prazo. A informação sobre a doença aos pacientes e familiares é muito importante para evitar a peregrinação em diversos médicos e especialistas, e a realização desnecessária de exames diagnósticos, à procura inadvertida de alterações reumatológicas ou da circulação nas pernas, exemplos não tão incomuns de acontecer.

51 thoughts on “Síndrome das Pernas Irriquietas”

  1. Boa noite, Acordo todas as noites por volta das 2 da manha e tenho a sensacao horrivel de desconforto nas minhas pernas e pes. Sinto uma agonia tao grande, que se eu pudesse eu arrancaria as pernas fora e so as colocaria novamente pela manha ao acordar. Comeco a estralar as pernas e pes, e nao consigo parar de mexer um so minuto. Essa sensacao perdura ate 3 horas, quando entao meu corpo exausto acaba caindo no sono. Tenho o mesmo problema em ambientes fechados, como aviao, teatros, ou lugares apertados como carros lotados. Imaginava que fosse especie de claustrofobia associada a ansiedade. Tive esses sintomas na minha gravidez e faz mais de 1 mes que voltei a ter novamente. Minha mae tem o mesmo sintoma. Tento aliviar essa sensacao colocando as pernas para cima na parede ate sentir amortecer, quando entao me deito novamente e tento dormir. Apos ler esse texto maravilhoso e esclarecedor, vou procurar um neurologista urgentemente. Muito obrigada!

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