Certificação em Neurossonologia – Edição 2016

Por Maramelia Miranda e Viviane Zétola

A certificação em Neurossonologia / Doppler Transcraniano foi implantada pelo DC de Doppler Transcraniano da ABN, como uma forma de agregar a qualidade e a excelência de entidades como a Academia Brasileira de Neurologia e a World Federation of Neurology aos que atuam nesta importante sub-especialidade da Neurologia.

O principal objetivo da certificação da ABN/WFN é elevar o nível de qualidade do diagnóstico neurossonológico, através da avaliação teórica e prática do examinador/candidato. A certificação é uma parceria reconhecida do DC de Neurossonologia da ABN e Capítulo Latino Americano da NSRG (Neurosonology Research Group), filiada à WFN (World Federation of Neurology).

Como nos demais anos, ocorrerá durante o Congresso Brasileiro de Neurologia, que este ano será em Belo Horizonte, e haverá um curso preparatório que é aberto a todos, independente da realização da prova. A seguir, a agenda do curso e das provas teórica e prática.

AGENDA

CERTIFICAÇÃO EM NEUROSSONOLOGIA – EDIÇÃO 2016.

LOCAL: Ambulatório Bias Fortes, Hospital das Clínicas da UFMG. Alameda Alvaro Celso, 175 – 6º e 7º andar. Bairro Santa Efigênia (ponto de referência: em frente ao Supermercado Extra).

DATA: 26/08/2016.

INSCRIÇÕES: Com vagas limitadas, por meio da secretaria da ABN, através do e-mail academia@abneuro.org. Deverá ser enviado nome completo, endereço completo, telefones de contato, e-mail, nº do CPF e CRM, juntamente com o COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO no congresso com prazo até dia 15/08/2016.

Pré-requisitos: É necessário ser neurologista, sócio da ABN em dia com a anuidade e inscrito no Congresso.

MINI CURSO PREPARATÓRIO E PROVA TEÓRICA / PRÁTICA

26/08/2016
08:00 – 10:30h – MINI CURSO PREPARATÓRIO

Tópicos: (1) Anatomia da circulação extra e intracraniana
(2) Fisiopatologia e hemodinâmica cerebral
(3) Princípios físicos e metodológicos do método Doppler
(4) Critérios diagnósticos e interpretação dos exames

11:00 – 12:00h  – PROVA TEÓRICA (Teste de múltiplas escolhas)
As questões serão elaboradas e administradas pelos membros da comissão de prova. As mesmas são corrigidas logo após o teste, e não serão disponibilizadas aos candidatos. O limite mínimo de acertos para passar para o teste prático é 70% de respostas corretas na avaliação teórica. Apenas poderão prosseguir para o teste prático aqueles candidatos já aprovados em teste teórico anterior.

14:00 – 18:00h – PROVA PRÁTICA: ´hands-on`

O candidato será avaliado individualmente, devendo realizar um exame de Doppler Transcraniano completo, com um aparelho de Doppler Transcraniano disponibilizado pela organização da Certificação, e durante ou após o exame, comentar sobre os possíveis achados anormais, a depender dos questionamentos do membro avaliador, na sua estação de Hands-on. A correta identificação dos vasos, os valores normais esperados e a interpretação dos possíveis achados serão pontuados. Haverá supervisão mínima de dois membros avaliadores certificados, determinados pelo comitê organizador, e um membro avaliador determinado pela NSRG.

Sugestões Bibliográficas:

Kremkau FW: DOPPLER ULTRASOUND: PRINCIPLES AND INSTRUMENTS. Saunders, Philadelphia 1993.

Tegeler CH, Babikian VL, Gomez CR (eds.): NEUROSONOLOGY. Mosby, Boston 1996.

Bartels E.: COLOR-CODED DUPLEX ULTRASONOGRAPHY OF THE CEREBRAL VESSELS. ATLAS AND MANUAL. Schattauer, Stuttgart 1999.

Babikian V, Wechsler L (eds.): TRANSCRANIAL DOPPLER ULTRASONOGRAPHY. Butterworth-Heinemann, Boston 1999.

Alexandrov A. (ed.): CEREBROVASCULAR ULTRASOUND IN STROKE PREVENTION AND TREATMENT. Futura, Blackwell Publishing, New York, 2004.

Zétola VF & Lange MC. MANUAL DE DOPPLER TRANSCRANIANO. 2006 publicado pela ABN.

Valdueza JM, Schreiber SJ, Roehl J, Klingebiel R: NEUROIMAGING AND NEUROSONOLOGY OF STROKE. Thieme 2008.

Lobo CL et al. Brazilian Guidelines for transcranial doppler in children and adolescents with sickle cell disease. RBHH 2011; 33(1): 43-8.

Lange MC et al, from Task Force Group of the Neurosonology Department, Brazilian Academy of NeurologyBrazilian guidelines for the application of transcranial ultrasound as a diagnostic test for the confirmation of brain death. ArqNeuropsiquiatr. 2012; 70(5): 373-80.

Comitê organizador
DC de Neurossonologia da ABN

XVII Neurosonology Research Group of the WFN General Assembly

Aos interessados, neurossonologistas!!!

Dias antes do Congresso Mundial de Neurologia, que este ano de 2015 será aqui ao lado, no Chile, no final deste mês, haverá o encontrinho aí em cima, do capítulo de Neurossonologia da World Federation of Neurology – o Neurosonology Research Group da WFN.

Na verdade, de encontrinho não tem nada, pois serão dois dias bons, oportunidade de fazer a prova / certificação, a mesma que se faz no encontro anual, realizado costumeiramente na Europa antes do congresso europeu, e com certeza uma excelente oportunidade de atualização em Doppler e US color Doppler Transcraniano, com gente “graúda” da área.

Vejam o Programa AQUI…

NSRG-WFN

Agenda

XVII Neurosonology Research Group of the WFN General Assembly

Data: 29-30 outubro 2015

Local: Hotel Kennedy, Santiago, Chile

Inscrições: U$200

Mais informações – AQUI e também AQUI

Certificação em Doppler Transcraniano 2014: Últimas vagas!!!

abn-logo-2014

Ainda restam algumas vagas para fazer a prova de Certificação em Neurossonologia pela Academia Brasileira de Neurologia deste ano, que será realizada no XXVI Congresso Brasileiro de Neurologia 2014. Para quem quiser ter o certificado da ABN / WFNS, a oportunidade é essa!!!!!

AGENDA

Inscrições: através do e-mail academia@abneuro.org.

Local das provas: HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UFPR – CURITIBA

Data: 08/11/2014

End.: RUA GAL CARNEIRO 181 – 4. Andar do Predio Central – Serviço de Neurologia

MINI CURSO PREPARATÓRIO – clique AQUI para ver todos os detalhes da prova deste ano!!!!!

Ultrassom Transcraniano para avaliação da substância nigra

Por Maramelia Miranda (Atualizado em Set 2018)

tags::: ultrassonografia transcraniana, substância nigra, doença de Parkinson, diagnóstico, hiperecogenicidade da substância nigra, ultrassom modo B, US transcraniano, ultrassonografia na doença de Parkinson

Onde fazer o exame US transcraniano da substância negra (ou mesencéfalo) – Clique AQUI

O Laboratório Fleury e a Clínica iNeuro Neurossonologia, ambos na cidade de São Paulo, realizam o exame de Ultrassom (US) transcraniano para avaliação do parênquima cerebral, também chamado de US transcraniano da substância negra, ou US transcraniano do mesencéfalo.

Este exame avalia primariamente a ecogenicidade da substância nigra, cujo aumento é encontrado em mais de 80% dos portadores de Doença de Parkinson idiopática, sendo considerado um provável marcador pré-clínico da doença.

Trata-se de um método complementar relativamente recente que, diferentemente do Doppler transcraniano convencional, avalia as estruturas intracranianas através da aquisição das imagens ultrassonográficas em modo B.

E ao contrário do que se pensa, o US transcraniano consegue ver a ecogenicidade da substância nigra com maior sensibilidade do que as imagens de ressonância magnéticas convencionais em aparelhos de até 3 Tesla. Notícia boa para os colegas profissionais que trabalham com ultrassom, e para nós, entusiastas no campo da Neurossonologia.

SN-US-hiperecogenicidade

Vejam abaixo algumas imagens interessantes do US transcraniano do parênquima (arquivo pessoal), e procurem identificar o mesencéfalo nas figuras…

Para saber mais, veja o que escrevemos no final do ano passado, postado AQUI mesmo no nosso Blog.

Ressalto aos colegas neuros que deve-se ter atenção ao mencionar, no pedido médico, que trata-se do US transcraniano para esta avaliação específica (tremores, Parkinson, ver mesencéfalo e/ou substância nigra).

LINKS

iNeuro Neurossonologia – US e Doppler Transcraniano

E para ver os locais em São Paulo onde poderão encaminhar os pacientes para este exame, clique AQUI.

Ultrassom Transcraniano em Distúrbios do Movimento

Por Maramélia Miranda

tags::: ultrassonografia transcraniana, substância nigra, doença de Parkinson, diagnóstico, hiperecogenicidade da substância nigra, ultrassom modo B, US transcraniano, ultrassonografia na doença de Parkinson

Veja onde fazer AQUI.

Antes da década de 70-80, os diagnósticos neurológicos eram feitos sem tomografia, muitas vezes apenas com a correlação anátomo-clínica aliados a uma boa propedêutica neurológica. Havia no máximo angiografias e pneumoencefalografias para auxiliar os neurologistas nos seus diagnósticos. A tomografia computadorizada (TC) e depois a ressonância magnética (RNM), com suas imagens maravilhosas, revolucionaram a nossa especialidade. O tempo tratou de deixar a época pré-TC e RNM como um relato histórico da evolução tecnológica na Medicina.

História: aspecto de uma hidrocefalia na pneumoencefalografia. Fonte: Uniformed Services University, New York.

E o que restam de doenças neurológicas onde o diagnóstico é essencialmente clínico? Alzheimer? Cefaléias? Bem, uma delas é a Doença de Parkinson. Sabemos que nada, nenhum exame complementar consegue dar este diagnóstico, a não ser uma boa anamnese e detalhado exame neurológico para detecção dos seus sinais cardinais (tremor, rigidez, bradicinesia, instabilidade postural). Certo?

Mais ou menos.

Ultrassonografia Transcraniana

Antigamente era impossível examinar o cérebro com ultrassom, pela impossibilidade total de penetração dos feixes ultrassônicos através do crânio. Aaslid iniciou em 1980 o uso de Doppler transcraniano na forma de curvas espectrais e análise das velocidades de fluxo das grandes artérias intracranianas.

Há 12 anos, um alemão chamado Georg Becker, fazendo exames de ultrassonografia (US) transcraniana com aparelhos mais modernos do que os da década de 80, em pacientes com Parkinson, observou uma alteração na ecogenicidade do mesencéfalo predominante na área correspondente à substância nigra dos doentes parkinsonianos idiopáticos.

Anos mais tarde, e até hoje, colegas neurossonologistas europeus replicam seus achados iniciais, e com o desenvolvimento constante dos aparelhos de ultrassonografia e de suas imagens de maior resolução, atualmente os novos aparelhos conseguem demonstrar com bastante clareza o que Becker viu em 1995.

A ultrassonografia transcraniana com modo B, que mostra as estruturas do parênquima cerebral em tons de cinza, consegue detectar hoje o que os mais novos aparelhos de ressonância magnética (com campos de 1,5 a 3T) ainda não conseguem ver: uma alteração presente em pouco mais de 90% dos indivíduos com Doença de Parkinson (DP) idiopática, prevalência bem diferente da observada nos idosos normais ou em outras formas de parkinsonismo — a hiperecogenicidade da substância nigra (vide abaixo).

Fatos: US Transcraniana hoje

Hoje sabemos que a hiperecogenicidade da substância nigra está relacionada à deposição de ferro e provavelmente outros metais, nesta região. O aumento desta área, detectada exclusivamente pelo US do parênquima cerebral, está presente em cerca de 90% dos indivíduos com DP idiopática e em cerca de 8-10% dos indivíduos normais. E vamos além: os idosos normais com este achado ultrassonográfico terão cerca de 20 vezes maior risco de desenvolver DP ao longo de 5 anos (Berg e col., Ann Neurol 2011, Mov Dis 2012 – Links abaixo).

Ou seja, a hiperecogenicidade da substância nigra é provavelmente, junto com hiposmia e depressão, um “novo” marcador pré-clínico da doença. Sabe-se também que a presença da hiperecogenicidade da SN não está associada à duração ou à progressão da Doença de Parkinson. Menos de 10% dos portadores de parkinsonismo atípico apresentam a hiperecogenicidade da substância nigra visualizada pelo US do parênquima cerebral.

Portanto, fica a dica: nos casos de parkinsonismo iniciais, com dúvida diagnóstica; nos casos onde é difícil diferenciar entre tremor essencial de um quadro inicial de DP; em casos de idosos com sintomas depressivos com bastante bradicinesia ou hipomimia; nos casos com suspeita de parkinsonismo atípico… Estas são as situações principais onde o uso de novos métodos, como Spect com TRODAT (falarei futuramente em outro post), ou o ultrassom transcraniano do parênquima cerebral pode ser útil para a avaliação dos pacientes.

Obs. Em São Paulo, apenas quatro locais disponibilizam este exame para realização. Clique AQUI para saber onde.

LINKS

Becker et al. Degeneration of substantia nigra in chronic Parkinson’s disease visualized by transcranialcolor-coded real-time sonography. Neurology 1995.

Berg, Godau et Walter. Transcranial sonography in movement disorders. Lancet Neurology 2008.

Berg et al. Enlarged hyperechogenic substantia nigra as a risk marker for Parkinson’s disease. Mov Dis 2012 ASAP.

Berg et al. Enlarged Substantia Nigra Hyperechogenicity and Risk for Parkinson Disease. A 37-Month 3-Center Study of 1847 Older Persons. Arch Neurol. 2011;68(7):932-937.

Busse et al. Value of combined midbrain sonography, olfactory and motor function assessment in the differential diagnosis of early Parkinson’s disease. J Neurol Neurosurg Psychiatry 2012;83:441-7.