Transtornos funcionais em Neurologia: Como não cair em pegadinhas

Artigo de revisão nota mil, sobre transtornos funcionais em Neurologia. Situação incomum, difícil no diagnóstico e manejo.

Muitas vezes somos literalmente “enganados” pelos casos reais. E hoje em dia, com Google, Internet, Youtube, redes sociais… A coisa está a cada dia mais refinada… Acreditem.

Se você ainda era do grupo que não conhecia o termo, não fique inibido. A mudança é recente mesmo. O DSM V (publicado em 2013) removeu as nomenclaturas anteriores, introduzindo o termo “funcional” às desordens com sintomas neurológicos anteriormentes descritos de diversas formas, como transtorno psicogênico, conversivo, somatoforme, psicossomático, piti, etc…

Mais do que nunca, somos obrigados a treinar, fazer o exame neurológico cuidadoso, e ter aquele “olho clínico” quando algo aparenta ser “bizarro”, “diferente”… Pra saber reconhecer e conduzir da melhor forma os pacientes com estes sintomas. E o principal – evitar exames e investigações longas desnecessárias, de alto custo, e sobretudo, procedimentos terapêuticos invasivos fúteis.

LINKS

Spay et al. Current Concepts in Diagnosis and Treatment of Functional Neurological Disorders. JAMA Neurology 2018.

Stone et al. Functional symptoms and signs in neurology: assessment and diagnosis. JNNP 2005.

Stone J. Functional neurological disorders: the neurological assessment as treatment. Pract Neurol 2015. 

Stone & Edwards. Trick or treat? Showing patients with functional (psychogenic) motor symptoms their physical signs. Neurology 2012. 

Atualização em 18 jun 2018: Adicionei 2 artigos do expert Jon Stone, bastante didáticos e bem lembrados pelo nosso colega fera Fabiano Moulin. 

Trials apresentados hoje na ESOC 2018

Muitos trials.

Definitivamente, este congresso a cada ano se supera. Uma leva boa dos grandes estudos em andamento foi apresentada pela manhã em Gothemburg, com concomitantes publicações em algumas revistas médicas, a saber: 4 papers na NEJM, um na Nature, um na Lancet e outro na Lancet Neurology… Apenas.

Muita coisa. Interessantes e que podem mudar alguns aspectos da nossa prática do AVC. Abaixo, listo os principais.

LINKS

NAVIGATE-ESUS

— Paper na NEJM AQUI.

WAKE-UP

— Paper da NEJM AQUI.

POINT

— Paper na NEJM AQUI.

TICH-2. 

— paper TICH-2 na Lancet AQUI.

SETIN-HYPERTENSION

MEGASTROKE

CROMIS-2

— paper na Lancet Neurology AQUI.

TIA REGISTRY. Artigo da NEJM AQUI. 

Congresso Europeu de AVC: Streaming ao vivo dos Trials!!!

Você vacilou, como eu, e não conseguiu ir ao ESOC deste ano, na Suécia, em Gothemburg?

Pois bem… Entrei hoje no site do evento pra ver o que eu iria perder, os trials que estão pra sair, e ficar ainda mais com raiva de mim mesma… E não é que vejo aquela imagem linda na minha frente…

A organização vai fazer streaming dos eventos principais, favorecendo a máxima do que tenho em mente, do porquê que estamos aqui neste mundo… Aprender, viver, passar pra a frente, disseminar conhecimento, experiências, ensinar o que nos ensinam, aos que nos ensinam, e neste caso em específico, difundir a ciência.

Claro, óbvio, que o mais legal é ir até os congressos, fazer amizades, expandir seu networking, ver as aulas, e aproveitar pra turistar um pouco nos intervalinhos minúsculos. A seguir, listo as 3 sessões que terão Streaming do ESOC 2018:

Official Welcome & Large Clinical Trials
Wednesday 16 May, 10:30 – 12:00 (horário Brasil = 05h30)

Presidential Symposium – Awards & Trials
Wednesday 16 May, 14:30 – 16:00 (horário Brasil = 10h30)

Action Plan for Stroke in Europe (Joint ESO – SAFE Session)
Thursday 17 May, 14:30 – 16:00 (horário Brasil = 10h30)

O fuso horário da Suécia é exatamente 5h a menos do nosso brasileiro (horário de BSB). Portanto, pessoal, na próxima quarta-feira, vamos todos madrugar!!!!!!

Se alguém ainda quiser ir pra lá, dá tempo, mas tem que pegar o vôo HOJE!!!  :))))

Tenecteplase x alteplase: The battle begins!!!!

Publicado o estudo EXTENDED-IA TNK, na NEJM, que avaliou a não-inferioridade da tenecteplase (dose 0,25mg/kg, máxima dose 25mg) em relação à terapia trombolítica de primeira linha – a única até então, a alteplase (rTPA), na sua dose habitual e na janela de tempo normal (até 4,5h).

Estudo positivo para não-inferioridade e superioridade (p=0,002 e 0,03, respectivamente), com segurança (desfechos de sangramento) similares.

Agora a questão é a seguinte: Sendo a TNK melhor, sabemos que é mais cara…

Em breve, analisaremos aqui a custo-efetividade, a diferença de custo entre as duas drogas.

Hoje na nossa reunião semanal surgiu a dúvida: será que 25mg de TNK é muito mais caro que 2 frascos de rTPA (dose usualmente aberta para fazer a trombólise nos moldes que fazemos atualmente)?

Mais uma droga para evitar Resultado de imagem para emoji mão apontando…?

LINKS

Campbell et al. Tenecteplase versus Alteplase before Thrombectomy for Ischemic Stroke. NEJM 2018. 

Marijuana e Vasoconstricção Reversível: Há correlação?

Perguntinha e discussão muito legal hoje no ambulatório, com base em um caso levado pelos nossos fellows. Pode haver RCVS (síndrome da vasoconstricção cerebral reversível – sigla em inglês) por uso de maconha?

Poder, pode. Mas temos que saber que não é uma causa frequente. Outras substâncias (cocaína, vasoconstrictores, anfetaminas, triptanos, IRSS) são mais descritas como triggers da síndrome.

   >> TC crânio: HSA cortical típica de RCVS.

Lembrando: se o paciente tiver sintoma agudo de cefaleia em trovão, recorrente, súbita, intensa, inédita, junto com uma HSA cortical, ele praticamente leu o livro antes de vir conversar com você. Esta é a apresentação de uma RCVS típica.

LINKS

Ducros et al. The clinical and radiological spectrum of reversible cerebral vasoconstriction syndrome. A prospective series of 67 patients. Brain 2007.

Wagner et al. The Impact of Marijuana Legalization on Reversible Cerebral Vasoconstriction Syndrome. Neurology 2016. Poster apresentado no congresso da AAN em 2016.

Uhegwu et al. Marijuana induced Reversible Cerebral Vasoconstriction Syndrome. J Vasc Interv Neurology 2015.

Desculpas, e Felicidade…

Hoje durante o dia quase todo, o site ficou fora do ar para migração de host.

Trocamos o host para melhorar a experiência do usuário e aumentar a rapidez da navegação. O trabalho é hercúleo, considerando que esta que vos escreve é quem faz, sozinha, apenas com o suporte técnico do host, sem programador, sem desenvolvedor, com os pequenos conhecimentos em HTML, WP e de webdesign que tenho…

Paciência. Enquanto estamos ajudando os neuros na sua prática e atualização, tá valendo!

Mas o melhor do dia foi um colega querido ter me ligado no meio da tarde, perguntando: “Marinha, teu site está fora do ar!? Não pode!!!! Eu o uso muuuito!””

Poxa… Com essa ganhei o dia.

Beijos a todos.

Terapias alternativas… O SUS tem. Mas as terapias de verdade…

Estou em outro planeta. Só pode ser. O SUS já tinha colocado no seu rol de tratamentos, as tais terapias alternativas, como yoga e afins, desde 2006.

Tudo bem, há benefícios em certa parte da população. Mas há de se dar o básico, o que está cientificamente comprovado.

Esta semana, anunciaram a inclusão de 10 novas modalidades dos tratamentos alternativos: agora os doentes do SUS terão Florais, Cromoterapia, Hipnoterapia, Ozonioterapia, Aromaterapia, e mais as seguintes (deixei relacionados com a descrição, pois nem sabia do que se tratava):

Apiterapia – método que utiliza produtos produzidos pelas abelhas nas colmeias como a apitoxina, geléia real, pólen, própolis, mel e outros.

Bioenergética – visão diagnóstica aliada à compreensão do sofrimento/adoecimento, adota a psicoterapia corporal e exercícios terapêuticos. Ajuda a liberar as tensões do corpo e facilita a expressão de sentimentos.

Constelação familiar – técnica de representação espacial das relações familiares que permite identificar bloqueios emocionais de gerações ou membros da família.

Geoterapia – uso da argila com água que pode ser aplicada no corpo. Usado em ferimentos, cicatrização, lesões, doenças osteomusuculares.

Imposição de mãos – cura pela imposição das mãos próximo ao corpo da pessoa para transferência de energia para o paciente. Promove bem estar, diminui estresse e ansiedade.

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Ou seja, colocar argila no corpo dos pacientes, produtos de abelhas, e imposição das mãos, o SUS quer dar.

Agora, biológicos para NMO grave, medicamentos corretos para pacientes com EM, antiepilépticos potentes para epilepsia refratária, anticoagulantes de nova geração que funcionam melhor e sçao mais seguros do que a varfarina, e trombectomia para oclusão de grandes vasos em AVCi grave agudo, cujo NNT é 2,5 — CADÊ!?!?!?!

Em qualquer país do mundo, isso só poderia ser piada.

De mau gosto.

Aqui no Brasil, foi uma das notícias do dia.

Sentemos, e choremos.

Guideline europeu sobre Trombose Venosa Cerebral

tags: TVC; trombose venosa cerebral; tratamento de trombose venosa cerebral; heparina na trombose venosa cerebral.

Atenção pessoal… Em trombose venosa cerebral, é somente anticoagular por 6m a um ano, colher exames de trombofilias e acabou!?

Não é bem assim. Tem muitas coisas novas na literatura, estudos observacionais, controlados, metanálises, analisando os aspectos principais do diagnóstico e do tratamento, incluindo os esquemas de tratamento diferentes que existem hoje na prática clínica.

Várias coisas mudaram na doença TVC que temos em mente, de 10-15 anos atrás…

Perguntinhas básicas, como: Coletar ou não pesquisa de trombofilias, e quando coletar? Fazer ou não screenning para neoplasias? Quanto tempo anticoagular? Podemos usar os anticoagulantes novos? Qual terapia é a melhor na fase aguda? Trombólise ou trombectomia funciona?

Abaixo, algumas respostas que podem nos ajudar. Leiturinha obrigatória.

Ferro et al. European Stroke Organization guideline for the diagnosis and treatment of cerebral venous thrombo sis endorsed by the European Academy of Neurology. Eur J Neurology 2017.

Programação do II CONINI 2018 divulgada!

O II Congresso de Neurointensivismo da ABNI no Rio de Janeiro já está a todo vapor, com sua programação já divulgada no site!

São váaaarios – mais especificamente 37 convidados internacionais confirmados.

Isso mesmo: 37 palestrantes internacionais, todos feras da área, e um programa digno do quilate dos convidados… Vejam nos links abaixo, os temas e palestrantes de toda a grade do congresso.

Brandon

Inscrições e Programação AQUI ou direto no site do evento – www.conini.com.br.

PROGRAMA Dia 11 de maio sala 1 – AQUI

PROGRAMA Dia 11 de maio sala 2 – AQUI

PROGRAMA Dia 12 de maio sala 1 – AQUI

PROGRAMA Dia 12 de maio sala 2 – AQUI