Uso de Inteligência Artificial na Educação: Relatório do MIT traz inúmeras questões do presente e futuro incerto

A questão está pipocando entre inúmeros pensadores, entre desenvolvedores, professores, nas universidades, na mídia, entre filósofos e entre profissionais da educação: Qual o limite de uso? Faz bem? Faz mal? Promove maior conhecimento? Atrofia células cerebrais? Reduz aprendizado? Favorece maior conhecimento?

Does AI stop children from learning?

Dados da Academia, de quem estuda a fundo esse tópico, eram inicialmente conflitantes, mas agora, com maior tempo de implementação das ferramentas e aumento exponencial do número de usuários globalmente, os malefícios começando a aparecer…

Sem muito tempo para escrever minhas primeiras impressões, afinal, por óbvio, não vou fazer igual a muitos por aí, e usar a própria IA para falar e elaborar textos de IA falando da IA…

Vou deixando aqui os links. Acumulando a literatura existente, para depois, resenhar pra vocês.

Mas, confesso.

Estou assustada.

 

LINKS

AI and Education

Stromberg et al. The Generative AI Learning Penalty: Evidence from Chinese Secondary Education. 

https://bpb-us-e1.wpmucdn.com/sites.mit.edu/dist/d/2418/files/2026/08/AI-Committee-Final-Report-Aug-13.pdf

https://files.eric.ed.gov/fulltext/EJ1501298.pdf

https://www.economist.com/graphic-detail/2026/08/18/does-ai-stop-children-from-learning

https://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/view/8775

Quais vacinas tomar em pessoas 50+

As vacinas a seguir considero como prioritárias, em pessoas acima de 50 anos, todas vacinas que constam no calendário do idoso, segundo a SBIm e o PNI/Ministério da Saúde.

Alguns pontos práticos e importantes sobre cobertura da rede pública e em pessoas com outras doenças:

1. A Shingrix (vacina de zóster, recombinante) é a vacina mais recomendada atualmente para prevenção de herpes-zoster, não tem no SUS e continua sendo a mais cara do calendário — pode custar R$ 600–800 por dose, na rede privada.

2. A vacina contra o vírus sincicial respiratório (RSV) é uma novidade recente, já disponível oficialmente em vários países da Europa. A Sociedade Brasileira de Imunizações/SBIm já recomenda para ≥60 anos com comorbidades, mas ela ainda não foi incorporada ao PNI e SUS, sendo disponível somente na rede privada.

3. Para febre amarela, a indicação em idosos +60 anos exige avaliação cuidadosa do risco, pois há maior incidência de eventos adversos graves nessa faixa etária — não é totalmente contraindicada, mas deve ser individualizada.

 

Outras vacinas são igualmente recomendadas, mas que eu pessoalmente respondo como “segunda prioridade”, quando sou questionada pelos meus pacientes com 50+:

 

Fontes e legendas: Calendário SBIm 2024 e PNI/Ministério da Saúde. CRIE = Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (atende grupos de risco com vacinas fora do calendário padrão do SUS). Calendário pode variar conforme estado e disponibilidade local.

Tenecteplase: Dose para AVC é diferente de Infarto agudo do miocárdio!

Guardem nos seus celulares! Agora iremos precisar!!!!!!

Tabela com as faixas de peso e doses de TNK Tenecteplase para AVC e Infarto agudo do miocárdio. 

 

Doses da tenecteplase para AVC são por faixa de peso, e não multiplicando por peso. Na tabela, as faixas de peso de TNK para AVC.

Para #AVCisquemico são diferentes do #infarto . Para ser mais exato, metade da dose do infarto.

 

tags: dose tenecteplase, AVC, dose por faixa de peso, tabela de doses TNK para AVC. 

 

 

 

 

 

Polilaminina em lesão medular: Somente incluindo em pesquisa clínica!

Isso é o certo. Um paciente que tem lesão medular poder receber uma droga experimental que só foi testada em animais!? Não deveria…

O correto é que receba se aceita participar como sujeito numa pesquisa clínica, somente no contexto de ensaio clínico devidamente autorizado por comitê de ética em pesquisa clínica brasileiro.

Foi isso que recomendaram a Academia Brasileira de Neurologia e a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, em suas respectivas notas oficiais divulgadas hoje pela manhã.

O que é errado?

Publicizar a droga como se um milagre fosse.

Prescrever a medicação, sem que o tratamento tenha o devido controle do quadro clínico, dose, sintomas, efeitos colaterais, melhora clínica. Ou seja, apenas diante de ensaio clínico (no momento…).

Não se saber qual dose deve ser aplicada.

Aceitar que decisões judiciais em liminares sejam “o normal”.

Publicizar frasco do medicamento, ou dose do medicamento, ou empresa que fabrica o medicamento.

Alimentar esperanças para pacientes sequelados e suas famílias, todos devastados com uma doença tão impactante quanto essa.

 

 

Consumo moderado de café e demência: Sim, faz bem!!!!!

Você é coffeelover como eu? Fica se culpando que toma muito café, que faz mal, etc etc etc…???

Pois então, agora você vai comemorar… Um grande estudo populacional com mais de 40 anos de seguimento de pessoas saudáveis comprova: O consumo moderado diário (média de 2-3 copos de café) foi associado à redução de demência e à melhora cognitiva. Ebaaaa!!!!!
Não é à toa que a gente gosta… Estudo observacional americano com mais de 130.000 pacientes, feito originalmente na Universidade Harvard, embora vejam, observem, os autores serem maioria de ascendência asiática (vejam a listinha…). Publicação da JAMA de hoje. 

As exposições estudadas foram de café, café descafeinado, chá e cafeína total. Os autores identificaram que participantes do estudo no quartil mais alto de consumo de café cafeinado (média de 2-3 copos ao dia) apresentaram uma razão de risco (HR) de 0,82, o que representa uma redução de 18% no risco em relação ao quartil mais baixo de consumo. Em relação ao consumo de chá, houve também uma associação protetora, com uma redução de risco de 14% (HR 0,86) para aqueles no maior nível de ingestão… Maravilhoso isso, não?

Vale a pena ler! Link abaixo.

Zhang et al.Coffee and Tea Intake, Dementia Risk, and Cognitive Function. JAMA 2026. 

 

MIT conclui: Uso de IA reduz conexões cerebrais

Por Maramélia Miranda

Primeiro disclaimer: É um trabalho prepublicado, estudo ainda não revisado por pares. Mas os dados, os resultados foram considerados bem relevantes, mesmo com uma amostra bem pequena de sujeitos estudados, que seus autores resolveram publicizar abertamente para toda a comunidade da Internet e científica.

Foram analisados 3 grupos de sujeitos e suas ações: grupo com LLM, grupo com Search Engine e o grupo sem nenhuma ferramenta (Brain-only), categorizado pela ferramenta que cada grupo usou para escrever. Foram feitas três sessões com suas respectivas ferramentas, e numa quarta sessão, os grupos LLM e brain-only trocaram de ferramentas (o LLM ficou sem nada, e o Brain-only usou LLM).

Estudo pequeno, praticamente um pilotinho do que ainda está por vir nesta área de conhecimento. n=54.

Análise feita com EEG, registrando a atividade cerebral e ativações neurais correlatas. O uso de LLM teve um impacto momentâneo positivo aparente no grupo de usuários da ferramenta, mas após 4 meses de uso, conseguiram medir um declínio neste grupo que usou LLM (comparado ao grupo Brain-only), performando pior em escores neurais e linguísticos.

Isso é assustador! Não tem outro adjetivo no qual eu possa pensar…

Me lembra o hype inicial com tecnologia, jogos, computação, telas, programas, celular na mão, e depois de algum tempo, tudo indo ladeira abaixo em milhões de coisas ruins de tudo isso, desde uso excessivo de telas, adição, falha de socialização, aumento de adoecimento por saúde mental, até todo resto, que culmina hoje com praticamente o banimento de telas para bebês, crianças e adolescentes.

Conclusão dos autores:“We hope this study serves as a preliminary guide to understanding the cognitive and practical impacts of AI on learning environment.”

 

LINKS

Kosmyna et al. Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task. https://doi.org/10.48550/arXiv.2506.08872.

Chow A.ChatGPT May Be Eroding Critical Thinking Skills, According to a New MIT Study. Artigo sobre o estudo na Revista Time.

Project YOURBRAIN ON CHATGPT. In: https://www.media.mit.edu/publications/your-brain-on-chatgpt/