Níveis séricos de Vitamina D ao longo de 10 anos…

Artigo publicado este mês, na Mayo Clinic Proceedings, pegou uma amostra pacientes que fizeram exames de vitamina D, de uma população da Mayo Clinic de Rochester, durante o intervalo de 10 anos (2002 a 2011), demonstrando:

1 – Sim, as pessoas aparentemente estão usando mais Vitamina D, pois a incidência de níveis séricos > 50ng/ml em uma população americana subiu de 9 por 100.000 para 233 por 100.000. Ou seja, multiplicou-se, num período de 10 anos, em mais de 20 vezes!!!!

2 – Dos 20.308 pacientes estudados, 8,4%, 0,6% e 0,2% tinham níveis > que 50, 80 e 100ng/ml de 25-OH vitamina D no sangue, respectivamente;

2 – A ocorrência de hipercalcemia foi rara, tendo ocorrido em 0,2% dos mais de 1874 pacientes com níveis > 50. Hipercalcemia com toxicidade clínica ocorreu em apenas um caso, um paciente tomando 50.000UI ao dia por mais de 3 meses, que tinha nível sérico de 364 ng/ml.

O editorial é do Michael Holick, famoso pesquisador sobre o metabolismo da Vitamina D.

Atenção para o texto do Dr. Holick, que enfatiza a relativa segurança de doses de D diárias de até 20.000UI., segundo os estudos clínicos que temos até o momento. Faço questão de transcrever, em inglês, uma das suas frases no final do texto:::

“The evidence is clear that vitamin D toxicity is one of the rarest medical conditions and is typically due to intentional or inadvertent intake of extremely high doses of vitamin D (usually in the range of >50,000-100,000 IU/d for months to years).”

Portanto, pessoal, não tem problema prescrever 4.000UI, 5000UI, 8.000UI ou até 10.000UI ao dia de vitamina D (colecalciferol)…

+++ Consenso Brasileiro sobre o uso de Vitamina D em Esclerose Múltipla – 2014

Não tem problema em deixar os níveis de D dos pacientes mais altos, entre 50-100ng/ml. Contando que se faça o controle laboratorial e oriente o paciente a reduzir o cálcio da dieta, manter-se bem hidratado e fazer controles com cálcio urinário e PTH, com orientação do próprio neuro ou de colega endocrino.

E, repito as palavras do Holick: “Há evidência clara de que a toxicidade da vitamina D é extremamente rara, e tipicamente decorrente de tomada inadvertida ou intencional de doses extremamente altas de vitamina D (usualmente na faixa de > 50.000-100.000UI/dia por meses a anos)…”

Ou seja, nem o Holick fica dando mais de 50 mil UI de vitamina D por aí… É mole?! Imagina se esse pessoal da Mayo Clinic soubesse que tem gente aqui no Brasil tomando 80 mil de Vitamina D como quem toma água?!?! Por meses e meses a fio????

Abaixo, outro link sobre relação entre reposição de Vitamina D em adolescentes e risco de EM.

LINKS

Dudenkov et al. Changing Incidence of Serum 25-Hydroxyvitamin D Values Above 50 ng/mL: A 10-Year Population-Based Study. Mayo Clinic Proc 2015.

Holick M. Vitamin D Is Not as Toxic as Was Once Thought: A Historical and an Up-to-Date Perspective. Mayo Clin Proc 2015.

Cortese et al. Timing of use of cod liver oil, a vitamin D source, and multiple sclerosis risk: The EnvIMS study. Mult Scler 2015.

Níveis muito altos e muito baixos de Vitamina D aumentam as mortes por infarto e AVC


4 thoughts on “Níveis séricos de Vitamina D ao longo de 10 anos…”

  1. flavio, interessante comentario. tomo a liberdade de transcreve-lo em outra pagina do site, OK?

  2. As grandes companhias querem lucrar com megadoses de vit D. O Cícero e seus chegados já lucram há muito tempo, com consultas acima de 1,5k e sem atender SUS, mesmo sendo afiliado a uma universidade federal. Sinceramente, qual é a diferença entre eles? Perguntar não ofende.

  3. vc falou:
    “já passou da hora da comunidade médica sentar com comitês para aprovação de pesquisas, e colocar no papel logo estudo com as altas doses de vitamina D. Já há informação detalhada de pacientes com mais de mais de 12 anos de tratamento para pesquisa.”

    david, onde está esta “informação detalhada”?

    já publicaram? infelizmente, não.

    david, para publicar a experiencia clinica que estes poucos médicos tem com megadoses de vitamina D aqui no brasil, bastaria dr cicero e sua equipe, ou outros médicos que seguem este seu “protocolo” – pegarem a autorização com os pacientes, juntarem os dados, analisar estatisticamente os dados, escrever o artigo e mandar para revistas médicas. simples.

    não precisa de aprovação em comite de ética, ou verba de pesquisas, porque os pacientes já foram, e estão sendo tratados e acompanhados. pode ser que o grupo brasileiro tenha dificuldade de explicar para os editores e revisores das revistas cientificas, como conseguiram tratar assim, há anos e anos a fio, pacientes com estas doses, tão altas, e não dentro de contexto de pesquisa clínica. suponho que talvez aí esteja o problema do grupo brasileiro não querer (ou poder) publicar sua experiencia… eticamente falando, todos irão questionar esta conduta…

    por isso é que nem o ascherio, tampouco o holick, falam em lugar nenhum que estas doses são seguras, nem podem ser usadas. porque não á escrito isso em nenhum lugar. os estudos em andamento hoje usam máximo de 17-20000UI…

  4. Dra. Maramélia, antes de mais nada, muito bom trazer discussão sobre vitamina D e EM.

    Gostaria de comentar um pouco.

    Na verdade os pesquisadores do Mayo Clinic sabem que há pessoas no Brasil (e em outros países) que recebem 50.000ui. Na verdade os principais pesquisadores do mundo sobre o assunto sabem dos pacientes no Brasil. Inclusive alguns deles estão incentivados na continuidade das pesquisas também por causa dos pacientes no Brasil. Isto porque os próprios pacientes já entraram em contato com os principais pesquisadores, e já receberam receberam este tipo de feedback, inclusive. Eu particularmente já troquei e-mails com Dr. Alberto Ascherio.

    O Dr. Michael Holick veio ao Brasil e fez questão de conhecer pessoalmente profissionais médicos, é claro, e também diversos pacientes que fazem tratamento com altas doses de vitamina D. Fiz questão de conversar um pouco com ele. Segundo o especialista, ficou positivamente impressionado, e, informará na próxima edição do seu livro sobre a existência de um protocolo justamente para evitar a toxidade de altas doses, e informou que foi um ponta pé inicial para diversas novas pesquisas com doses mais elevadas, inclusive pesquisas dele mesmo.

    O próprio Holick já informa nas palestras dele mundo a fora esta informação dos pacientes com altas doses de vitamina D no Brasil. E no próprio site dele informa pacientes de EM que há médicos no Brasil que tratam EM com vitamina D. Inclusive ele acompanha já com exames alguns pacientes tratados com altas doses de vitamina D. Ele sabe também que no Brasil há profissionais que não conseguem verba e aprovação para importantes pesquisas.

    Dra, estou apenas participando do seu blog como paciente (já que o blog não é exclusivo para médicos)

    Este assunto é importante. Como exemplo, descobri por acaso que tenho um primo de primeiro grau também com EM. Ele nunca teve seus níveis de vitamina D solicitado, e nem nunca tomou qualquer suplemento. Segundo várias pesquisas, provavelmente a doença dele pode ser mais severa, já que ele estava, inclusive com depressão sem sair de casa. Quando verificou, estava com quase 0 de vitamina D. Conversei com ele sobre vitamina D. Nenhum médico conversou nada sobre o assunto com ele. Enquanto isso as Diretrizes Terapêuticas de EM que foi atualizado recentemente, no final de 2014 não aparece o assunto vitamina D para o SUS, talvez onde mais se precise de teste e reposição de vitamina D. Muito triste isso.

    Parafraseando uma amiga minha, grandes pesquisadores do mundo vão provar o que um médico brasileiro descobriu. Isto deve já está perto de ocorrer, mesmo sem interesse das grandes farmacêuticas no assunto “altas doses”, e sem montantes recursos financeiros. Os laboratórios já estão testando a todo vapor os análogos da vitamina D que não provocam problemas com cálcio, porém todos patenteáveis, óbvio. Alguns pequenos duplo cegos já começaram: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25344375

    Uma curiosidade curiosíssima. A WARF (Wisconsin Alumni Research Foundation), uma organização de transferência de tecnologia e conhecimento, ligada a Universidade de Wisconsin Madison está procurando parceiros comerciais para o desenvolvimento de uma vitamina D ativada que não altere o cálcio no organismo. . Há até o folder para a “oportunidade de negócio”: http://www.warf.org/media.acux/a02f129e-e603-4e1f-bc7a-1f638707b4ab . Essa WARF é uma das maiores pesquisadoras de vitamina D do mundo. Já sabem do potencial terapêutico, têm várias patentes, e acompanham tudo de novo do assunto. Basicamente precisam de dinheiro e informar previsão de retorno do investimento, ou seja, sabem que funciona e estão empenhados em viabilizar para obter, óbvio, o lucro.

    Resumo de tudo: todos, inclusive associações, deveriam estar se debruçando e apoiando os grandes estudos, e mais uma vez, os maiores pesquisadores do mundo sabem que existem diversos pacientes no Brasil, e em outros países, tratados com altas doses de vitamina D.

    Dra, não quis ser mal educado ou coisa do tipo, mas em minha opinião, como paciente, já passou da hora da comunidade médica sentar com comitês para aprovação de pesquisas, e colocar no papel logo estudo com as altas doses de vitamina D. Já há informação detalhada de pacientes com mais de mais de 12 anos de tratamento para pesquisa. Desculpe, mas minha opinião, pela lógica e bom senso, não haveria porque não apoiar este tipo de pesquisa. Qualquer outra posição, como analogia, é fazer como o soro caseiro nas regiões onde é necessário. A UNICEF, hoje ainda, precisa brigar para utilização disto, já que os grandes laboratórios não têm interesse em utilizar. Já que há tanta gente mostrando que tem EM, está se tratando com altas doses de vitamina D, inclusive por períodos superiores ha 10 anos, penso que seria mais justo toda a comunidade médica ajudar nestas pesquisas.

    Desculpe, mas juro que fico espantado em ver associações que deveriam debruçar para ajudar a realizar grandes estudos para pacientes com EM (mostrar os resultados inclusive a longo curto, médio e longo prazo), parecem que ficam cada hora buscando uma desculpa, ou justificativa. O simples discurso “precisamos de mais estudos” é muito triste, em minha opinião.

    Escrevo bastante.. desculpe.

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