STEMO: Não é o nome de um estudo, é o nome da… Ambulância…?!

Por Maramélia Miranda

Ah… (… De novo, filosofando…)… Podem falar o que quiserem, dizer que os americanos são muito bons, que fazem pesquisa de qualidade, que são organizados, criteriosos…

Podem falar… O quão bons são centros de Neurologia como Cleveland, John Hopkins, Cincinnatti, Columbia, Boston (Harvard e concorrentes), Stanford, UCSF, UCSD… Texas, Paris, Barcelona… Não querendo desmerecer ninguém, e ao mesmo tempo jogando confete mesmo!

Os alemães ainda são incomparáveis, na tecnicidade, na organização, prudência diante das novas terapias, e na inovação… São realmente os verdadeiros tops quando o assunto é Neurologia Clínica, Neurocirurgia, Neurointensivismo.

Está aí. Enquanto os neurologistas dos EUA deitam e rolam ganhando montanhas de dinheiro e desenvolvendo a Telemedicina no AVC, um grupo de neurologistas da Charite-University Medicine de Berlin resolve testar a viabilidade de uma ambulância equipada com um aparelho de tomografia computadorizada (TC) “portátil”. O estudo piloto avaliou 152 pacientes atendidos na esfera pré-hospitalar, a partir do desenvolvimento de uma ambulância equipada com TC – a chamada “stroke emergency mobile unit” (STEMO).

Ambulância STEMO, usada no estudo alemão, em andamento na cidade de Berlim.

Este mês na Neurology foram publicados os resultados iniciais deste estudo piloto – denominado  “Pre-Hospital Acute Neurological Therapy and Optimization of Medical care in Stroke patients” (PHANTOM-S).

Visão interna da ambulância, equipada com tomógrafo. Fonte: www.medgadget.com.

O PHANTOM-S conseguiu tratar 51% dos casos de AVCi atendidos com o trombolítico endovenoso dentro da ambulância, com um tempo médio chamado-agulha de 62 minutos. Weber e colaboradores concluem que este sistema de tratamento do AVCi agudo com TC portátil na ambulância é viável.

O editorial, escrito por S. Starkman e Lee Schwamm (MGH – Boston, MA), é bastante interessante, e comenta sobre a importante mudança que a tecnologia da TC trouxe na década de 70 à nossa especialidade (deja vu – já havia “filosofado” sobre isso em outro post recente – AQUI)… Comparando com um possível futuro a la Star Trek…

Será que esta realidade vai demorar muito?

Estudo com bapineuzumab para Doença de Alzheimer é interrompido

Por Maramélia Miranda

A Pfizer e a Johnson & Johnson anunciaram nesta segunda-feira (6/ago/2012) a interrupção do estudo de fase III – Estudo 301 – que investiga o uso do bapineuzumab EV para o tratamento de Doença de Alzheimer (fases leve a moderada) em não-carreadores de ApoE. Após análises interinas, os pesquisadores alegaram que o tratamento com o bapineuzumab EV contra o beta-amilóide não levou a melhora cognitiva ou funcional (pelos desfechos medidos do trial – escalas ADAS-Cog e Disability Assessment for Dementia – DAD), em 18 meses de follow-up, em relação ao grupo tratado com placebo.

A companhia anunciou também que o estudo fase II SUMMIT AD, com bapineuzumab SC, irá continuar, com a intenção de “maiores informações para o desenvolvimento de futuras estratégias de pesquisa”.

Não houve nenhuma questão de segurança relacionada à interrupção do estudo, e os detalhes dos dois estudos recentemente descontinuados (estudo 302 – pacientes carreadores de ApoE, e agora o 301) serão apresentados no próximo congresso europeu de Neurologia – 16th Congress of the European Federation of Neurological Societies (EFNS) – em Setembro, na cidade de Estocolmo.

Veja o anúncio oficial da companhia AQUI.

E se o estudo apresentado por Bateman e col. em Vancouver, na Conferência Internacional de Alzheimer deste ano, estiver certo, quando demonstrou, num grupo de pacientes carreadores de mutações 1 e 3 em Alzheimer de início precoce, que os depósitos cerebrais de beta-amilóide começam a aparecer na neuroimagem cerca de 15 anos antes do início da demência… Aí os pesquisadores terão que tentar planejar estudos futuros com pacientes normais, com algum marcador biológico que aponte estes depósitos, e nestes tentar alguma terapia… Porque, pelo que parece, como bem explanou Dr. Paulo Bertolucci, na sua fala de ontem em Goiânia… Não vai adiantar nada pegar casos já sintomáticos, onde o estrago (leia-se: beta-amiloide) já está feito mesmo…

Referências

Bateman R. The dominantly inherited Alzheimer’s network trials: an opportunity to prevent Alzheimer’s disease. Program and abstracts of the Alzheimer’s Association International Conference 2012; July 14-19, 2012; Vancouver, British Columbia, Canada. Featured research session F3-04.

Farlow MR. Hope in Alzheimer´s?. Medscape Neurology News.